Ícone do site O Juruá Em Tempo

Aumento de diagnósticos de autismo amplia demanda por terapeutas ocupacionais no Norte

O aumento no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil tem provocado reflexos diretos na área da saúde e da educação, especialmente na Região Norte. Dados do IBGE indicam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros têm diagnóstico de TEA, o que representa aproximadamente 1,2% da população.

Na Região Norte, são cerca de 202 mil pessoas diagnosticadas. O Pará lidera em número absoluto de casos na região, com aproximadamente 91 mil registros. Em Porto Velho, estimativas apontam que entre 1.800 e 1.900 pessoas estejam dentro do espectro.
Especialistas apontam que o crescimento está relacionado à maior conscientização, ampliação do acesso à informação e inclusão do autismo nas estatísticas oficiais do Censo 2022.

Segundo a coordenadora dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Estácio UNIJIPA, Giselle Helena, o avanço nos registros reflete mudanças importantes no reconhecimento do transtorno.

“Hoje há maior preparo dos profissionais da saúde para identificar sinais precoces, além de mais informação para famílias e escolas. Isso permite que o encaminhamento para avaliação aconteça mais cedo”, explica.

Apesar do avanço, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda enfrenta entraves, principalmente em municípios do interior de Rondônia, onde há menor oferta de especialistas. Em algumas cidades, famílias relatam dificuldades para agendar consultas e iniciar o acompanhamento multiprofissional, etapa considerada fundamental nos primeiros anos de vida.

Papel do terapeuta ocupacional

Com a ampliação dos diagnósticos, cresce também a demanda por acompanhamento especializado. Entre os profissionais que atuam nesse processo está o terapeuta ocupacional, responsável por trabalhar o desenvolvimento da autonomia e da funcionalidade no cotidiano.

“O terapeuta ocupacional atua no desenvolvimento das habilidades de autocuidado, organização da rotina, coordenação motora e interação social. O objetivo é promover independência e participação ativa nos diferentes ambientes”, afirma Giselle Helena.

De acordo com a docente, a intervenção deve começar o mais cedo possível. “Quanto antes iniciar o acompanhamento, maiores são as chances de ganhos no desenvolvimento e na qualidade de vida.”
Além do atendimento clínico, o profissional também participa do processo de inclusão escolar, auxiliando na adaptação de atividades e orientando professores para favorecer a participação do aluno com autismo em sala de aula.

Mercado aquecido, mas insuficiente

O Brasil possui cerca de 17,5 mil terapeutas ocupacionais registrados, número considerado abaixo da demanda atual. Na Região Norte, a escassez é ainda mais evidente, especialmente fora das capitais.

“O mercado tem se expandido, mas ainda há um descompasso entre a quantidade de profissionais formados e a necessidade da população, principalmente na área do autismo”, destaca a coordenadora.

Diante desse cenário, instituições de ensino superior têm ampliado a oferta de cursos na área da saúde. A Universidade Estácio de Sá é uma das que oferecem graduação em Terapia Ocupacional, com formação voltada à atuação clínica, hospitalar e educacional.

O avanço dos diagnósticos de TEA evidencia maior conscientização social, mas também escancara fragilidades na rede pública de atendimento. Na Região Norte — especialmente em Rondônia — o desafio vai além de identificar casos: envolve garantir acesso contínuo a acompanhamento especializado e reduzir desigualdades regionais no cuidado.

Sair da versão mobile