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Chefe do Conselho de Segurança do Irã morre em ataque, diz Israel

Por Redação Juruá em Tempo.17 de março de 20266 Minutos de Leitura
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O ministro da Defesa de Israel anunciou nesta terça-feira, 17, que o Exército eliminou Ali Larijani, figura crucial do governo iraniano há décadas e atual chefe do Conselho Supremo de Segurança, e o general que comanda a milícia islamista Basij.

“O comandante do Estado-Maior acaba de me informar que Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e (o general Gholamreza) Soleimani, chefe dos Basij, o aparelho repressivo central do Irã, foram eliminados durante a noite”, declarou o ministro Israel Katz em uma mensagem de vídeo.

Que era Ali Larijani

Principal oficial de segurança nacional do Irã, Ali Larijani era considerado uma das poucas pessoas em quem o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã morto em um ataque aéreo dos Estados Unidos no início do mês, confiava para garantir a sobrevivência do regime.

Durante sua longa carreira política, ele se consolidou tanto como um influente articulador político dentro do regime quanto como um negociador competente com a Rússia, a China e até mesmo os EUA.

Mas, com os EUA e o Irã em guerra declarada, Larijani, de 67 anos, rejeitou categoricamente as declarações do presidente Donald Trump à revista The Atlantic de que os líderes iranianos “querem conversar” e que as negociações acontecerão.

Nascido em 1958, no Iraque, ele ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica em 1981 e serviu como comandante durante os primeiros anos da guerra Irã-Iraque. Ele frequentou um seminário religioso, mas depois obteve um diploma em ciência da computação e matemática, seguido de um mestrado e um doutorado em filosofia ocidental pela Universidade de Teerã. O foco acadêmico de Larijani, incluindo sua tese de doutorado de 1995, foi o filósofo alemão Immanuel Kant.

Enquanto buscava sua formação em filosofia, Larijani também usou sua experiência militar e suas conexões familiares para construir uma carreira política, eventualmente se tornando ministro da Cultura do Irã antes de completar 40 anos.

Em 1994, o aiatolá Khamenei nomeou Larijani como o novo chefe da emissora estatal iraniana, onde permaneceu pela década seguinte. Larijani notavelmente utilizou a emissora como uma ferramenta de propaganda pró-governo, supervisionando programas como Hoviat (“Identidade”), que rotulava publicamente os intelectuais anti-regime do Irã como traidores financiados pelo Ocidente.

Candidato à Presidência do Irã

Larijani concorreu pela primeira vez à Presidência em 2005, mas recebeu menos de 6% dos votos no primeiro turno e nunca chegou ao segundo turno, com a eleição sendo vencida pelo linha-dura Mahmoud Ahmadinejad.

Em vez disso, Larijani tornou-se secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) do Irã e principal negociador nuclear do país. Ele deixou o cargo em 2007 devido a aparentes divergências com Ahmadinejad.

Os confrontos com os linha-dura extremistas do Irã continuaram a afetar a carreira política de Larijani. Mesmo assim, ele conseguiu garantir uma posição como presidente do Parlamento em 2008 e mantê-la pelos 12 anos seguintes.

Durante esse período, Larijani desempenhou um papel fundamental na obtenção de apoio legislativo para o acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais — incluindo os EUA, a China, a Rússia, a Alemanha, o Reino Unido e a França — que visava limitar o programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções.

O acordo, o entanto, foi anulado por Trump durante seu primeiro mandato, em 2018.

Em 2020, Larijani foi encarregado de supervisionar um acordo estratégico de cooperação de 25 anos com a China, que foi finalizado no ano seguinte.

Em alta após o acordo com a China, que previa 400 bilhões de dólares (R$ 2 trilhões) em investimentos chineses no setor energético iraniano, Larijani tentou se candidatar novamente à Presidência em 2021.

Inesperadamente, ele foi impedido de concorrer pelo Conselho dos Guardiães do Irã. O órgão – que inclui seis clérigos islâmicos nomeados pelo aiatolá e seis advogados aprovados pelo Parlamento – não apresentou justificativas para sua decisão. Alguns especularam que Larijani foi excluído porque sua filha supostamente mora nos EUA e possui passaporte britânico, enquanto outros acreditam que isso foi feito para abrir caminho para o candidato preferido do regime, Ebrahim Raisi.

O aiatolá Sadiq Larijani reclamou publicamente que seu irmão havia sido desqualificado “com base em informações falsas do serviço secreto” e que “falsidades” foram deliberadamente espalhadas entre os membros do Conselho dos Guardiães.

O principal motivo para a desqualificação de Larijani foi que ele “criticou abertamente Raisi e membros da Guarda Revolucionária” e aparentemente nunca atacou figuras da oposição como Mehdi Karroubi e Mir Hossein Mousavi, que foram colocados em prisão domiciliar em 2010, disse o analista iraniano Ali Afshar à DW na época.

Ebrahim Raisi se tornou presidente, mas acabaria morrendo em um acidente de helicóptero em 2024.

Larijani então tentou se candidatar novamente à Presidência e foi mais uma vez impedido de concorrer à eleição, que acabou sendo vencida pelo moderado Masoud Pezeshkian.

No verão passado, Pezeshkian reconduziu Larijani ao seu antigo cargo como chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, fazendo dele o principal oficial de segurança do Irã após a guerra de 12 dias com Israel. Nos meses seguintes, a autoridade de Larijani e seu acesso a Khamenei pareceram ter ofuscado o próprio Pezeshkian.

Larijani era visto como a força motriz por trás da retomada das negociações nucleares entre os EUA e o Irã. Ele também viajou repetidamente a Moscou, atuando como o enviado de Khamenei junto ao presidente russo, Vladimir Putin – forte aliado do regime em Teerã – presumivelmente com a ajuda do embaixador iraniano Kazem Jalali, que também é um assessor próximo de Larijani.

Em entrevista à emissora Al Jazeera poucos dias antes do ataque EUA-Israel, Larijani disse que o Irã usou os últimos meses para se “preparar” para a guerra.

“Encontramos nossas fraquezas e as corrigimos”, disse ele. “Não estamos buscando a guerra e não a iniciaremos. Mas, se nos forçarem a isso, responderemos.”

Terceira semana de guerra

A guerra de EUA e Israel contra o Irã está em sua terceira semana, com pelo menos 2.000 pessoas mortas e sem previsão de término. O Estreito de Ormuz continua praticamente fechado e os aliados dos EUA rejeitaram os apelos do presidente Donald Trump para que ajudassem a reabrir a hidrovia vital, por onde passam cerca de 20% do petróleo global e do gás natural liquefeito.

Os ataques de ambos os lados não diminuíram na terça-feira, com o Irã lançando mísseis contra Israel durante a noite, ressaltando que Teerã mantém a capacidade de realizar ataques de longo alcance, apesar de mais de duas semanas de ataques com armas dos EUA e de Israel.

As Forças Armadas israelenses disseram que tinham como alvo a “infraestrutura do regime iraniano” com uma nova onda de ataques em Teerã, bem como em locais do Hezbollah em Beirute, um dia depois de dizerem que haviam elaborado planos detalhados para pelo menos mais três semanas de guerra com o Irã.

* Com informações da AFP, DW e Reuters

Por: Isto É.
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