A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira, 4, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. É a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça depois que assumiu a relatoria do caso.
Vorcaro foi preso em sua residência em São Paulo, no início da manhã, e encaminhado à Superintendência da PF na capital paulista. Também há outros três mandados de prisão contra Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, Luiz Phillipi Machados de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Os agentes cumpre ainda quinze mandados de busca e apreensão, nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
+ Nikolas admite ter viajado em jato de Vorcaro em 2022: ‘Qual é o problema?’
A defesa do banqueiro foi procurada, mas ainda havia se manifestou até a publicação desta matéria.
A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, supostamente praticados por organização criminosa. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.
“Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”, informou a PF em nota.
Servidores do BC afastados
O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana estão entre os alvos da operação desta quarta-feira.
Os dois servidores entregaram os cargos que ocupavam no comando do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC no final de janeiro em meio a uma investigação interna do Banco Central sobre o Master.
Uma fonte do Banco Central disse à Reuters que, quando a autarquia afastou os dois servidores de seus cargos, também foi feita uma comunicação à PF sobre o que foi encontrado na apuração interna, com informações sobre o que provocou os afastamentos. Trata-se, segundo a fonte, sem uma colaboração com a PF pelo BC, já que a investigação interna na autoridade monetária chegou a um ponto que encontraria limitações, como a impossibilidade de quebras de sigilos e outros procedimentos.
Segundo a PF, Paulo Sérgio tornou-se “uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro para assuntos de interesse exclusivamente privado” dando conselhos de como se comportar em reuniões institucionais, elaborar documentos e abordar temas sensíveis com autoridades regulatórias.
Primeira prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro havia ficado 11 dias preso em novembro, quando a primeira fase foi deflagrada por ordem da Justiça Federal de Brasília. Depois, sua defesa conseguiu levar a investigação para o Supremo Tribunal Federal. Sob relatoria de Dias Toffoli, o inquérito passou a ter atritos constantes com a Polícia Federal.
Toffoli deixou o caso no mês passado, depois que a PF entregou um relatório ao Supremo contendo menções ao nome dele e conversas do ministro com Daniel Vorcaro. O inquérito, então foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que vinha estudando o caso e autorizou a deflagração dessa nova fase da operação.
* Com informações do Estadão Conteúdo e Reuters

