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Fuzileiros, equipamentos, negociações frustradas: Trump prepara invasão do Irã? Veja o que se sabe

Por Redação Juruá em Tempo.25 de março de 20266 Minutos de Leitura
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A sequência de envios de meios militares adicionais dos Estados Unidos para o Oriente Médio nos últimos dias tem levantado discussões sobre a possibilidade de que a guerra contra o Irã adquira um novo capítulo a partir de uma invasão terrestre americana em solo iraniano. Segundo a imprensa internacional, a partir de informações reveladas por fontes do governo dos EUA, o presidente Donald Trump articula o envio de tropas terrestres ao Irã para ampliar sua ofensiva na região do Golfo Pérsico com dois objetivos centrais: garantir a reabertura do Estreito de Ormuz — vital para o fluxo global de petróleo e atualmente bloqueado sob ameaças de ataque iranianas — e confiscar ou destruir estoques de urânio altamente enriquecido do país.

De acordo com a Reuters, as opções em análise envolvem algumas das operações militares mais complexas e arriscadas das últimas décadas. Em paralelo, o Pentágono prepara um pedido de orçamento suplementar de US$ 200 bilhões ao Congresso, ligado à guerra. Segundo analistas militares ouvidos por agências de notícia internacionais, a Casa Branca e o Pentágono estudam empregar os fuzileiros navais (marines) deslocados para a região na tomada de ilhas estratégicas na costa iraniana, como Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país, em uma combinação de ações militares que vai além dos bombardeios já em curso.

Localizada no Golfo Pérsico, a cerca de 480 quilômetros do Estreito de Ormuz, Kharg é o principal terminal de exportação de petróleo do Irã e foi alvo há quase duas semanas de ataques à sua estrutura militar — mas o próprio Trump não descartou atingir sua infraestrutura energética. No entanto, autoridades e especialistas avaliam que tomar o controle de Kharg pode ser mais vantajoso do que destruí-la. A ilha poderia funcionar como moeda de pressão direta sobre Teerã, forçando o país a reduzir ataques ao tráfego marítimo sem causar um choque ainda maior na economia global, ao mesmo tempo em que daria apoio logístico a uma eventual ação para localizar e neutralizar alvos estratégicos sensíveis.

Além de Kharg, entre os outros alvos considerados estão ilhas como Qeshm, localizada na entrada do estreito e equipada com túneis subterrâneos que abrigam mísseis e embarcações militares, Kish e a própria ilha de Ormuz. A partir dessas posições, os EUA poderiam interceptar barcos rápidos iranianos e neutralizar ameaças ao fluxo de petroleiros.

Deslocamento do USS Tripoli

Na última terça-feira, o navio de assalto anfíbio USS Tripoli foi identificado nas proximidades de Singapura, na extremidade sudoeste do Mar do Sul da China, conforme informações do sistema AIS, que monitora dados de rastreamento marítimo, analisadas pela rede americana de notícias CNN. Segundo três autoridades familiarizadas com o planejamento, o USS Tripoli transporta tropas da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros (MEU), baseada em Okinawa, no Japão. A unidade, composta por cerca de 2.200 militares, foi mobilizada pelo Pentágono como força de resposta rápida, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre o destino exato ou a missão.

Uma MEU é formada por quatro componentes: comando, combate terrestre, combate aéreo e logística. Essas unidades são frequentemente empregadas em missões como evacuações e operações anfíbias, incluindo incursões e assaltos a partir do mar, além de contarem com elementos treinados para operações especiais. Com quase 260 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 45 mil toneladas, o USS Tripoli funciona como um porta-aviões de pequeno porte, equipado com caças furtivos F-35, aeronaves de transporte MV-22 Osprey e embarcações de desembarque capazes de levar tropas diretamente à costa.

Essas forças são treinadas para operações rápidas pelo mar e ar, combinando infantaria, apoio aéreo com helicópteros e caças F-35B, além de logística própria, o que lhes permite atuar de forma autônoma para a tomada de ilhas estratégicas ao longo da costa sul do Irã e dentro do próprio estreito, permitindo aos EUA estabelecer bases avançadas para proteger o tráfego marítimo e conter ataques iranianos. O navio é o principal de um grupo anfíbio de prontidão, que normalmente inclui os navios de transporte USS New Orleans e USS San Diego. No entanto, não foi possível confirmar, por meio de dados públicos de rastreamento, se essas embarcações acompanham o Tripoli na missão.

Envio de militares do grupo anfíbio USS Boxer

Entre 2,2 mil e 2,5 mil militares do grupo anfíbio de prontidão USS Boxer, baseado na Califórnia, e da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais seguiam para o Comando Central dos EUA, responsável pelas forças americanas na região do Golfo, com partida registrada por uma webcam na manhã de quarta-feira da semana passada. Um porta-voz da Marinha americana disse em nota à NBC7 que ambas as unidades “estão conduzindo operações de rotina no Indo-Pacífico”.

O USS Boxer realizou uma cerimônia de troca de comando em 13 de março, menos de uma semana antes do envio, com o capitão Eli Owre assumindo o comando no lugar do capitão Jason Tumlinson. Embora a operação tenha sido descrita como “de rotina”, uma fonte americana disse ao Jerusalem Post nesta sexta que os militares estão acelerando o envio de pessoal e equipamentos ao Oriente Médio, incluindo o deslocamento do USS Boxer, do USS Portland e do USS Comstock.

O USS Boxer funciona como um porta-aviões de pequeno porte, enquanto o USS Portland e o USS Comstock são navios de desembarque anfíbio. Juntas, as três embarcações transportam, além dos cerca de 2,5 mil fuzileiros navais, aproximadamente 4 mil militares no total.

Expedição autorizada de brigada de assalto aéreo

A rede americana NBC News revelou que Trump autorizou o envio para o Golfo Pérsico de uma brigada de assalto aéreo, especializada em ações de ataque rápido em territórios hostis. A 82ª Brigada, composta por cerca de 3 mil militares, é uma força de ação emergencial, que pode atuar em qualquer lugar do mundo em até 24 horas, e treinada para ações com paraquedistas em territórios adversos, com o objetivo de assumir o controle de posições estratégicas, como campos de pouso. De acordo com a NBC News, apenas uma parte da unidade, cerca de mil militares, irá ao Golfo.

A brigada foi criada no século passado, atuando nas duas Guerras Mundiais e em conflitos como a Guerra do Iraque e a Guerra do Afeganistão, quando também ajudou na evacuação de civis após a tomada de Cabul pelo Talibã, em agosto de 2021.

Por: O Globo.
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