As autoridades iranianas também relataram ataques com mísseis em Shiraz, no sul do país, que deixaram pelo menos 20 mortos, um balanço que a AFP não tem condições de verificar com fontes independentes.
“Vinte cidadãos inocentes foram martirizados e 30 ficaram feridos no ataque terrorista”, declarou Khalil Hasani, vice-governador da província de Fars, citado pela agência oficial Irna. Hasani disse também que o ataque aconteceu em uma “área residencial de Ziba Shahr”, um bairro da periferia de Shiraz.
No Líbano, os subúrbios do sul da capital, Beirute, também foram bombardeados nesta sexta-feira por Israel, informou a agência estatal de notícias Ani, que não mencionou vítimas.
A guerra provocou um grande impacto nos mercados econômicos mundiais, enquanto a duração permanece incerta. “Estamos apenas no começo dos combates”, afirmou na quinta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, antes de destacar que Washington dispõe de munição suficiente para seguir com a campanha “pelo tempo que for necessário”.
O presidente Donald Trump declarou ao canal NBC News que enviar tropas terrestres ao Irã seria “uma perda de tempo”, já que os iranianos “perderam tudo”.
Sem cessar-fogo ou negociações
O comandante do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, anunciou na quinta-feira que a guerra entrou em uma “nova fase”. “Após a execução bem sucedida da etapa do ataque surpresa, durante a qual estabelecemos nossa superioridade aérea e neutralizamos a rede de mísseis balísticos, passamos agora à próxima fase da operação”, declarou.
Zamir reiterou que Israel prosseguirá com o “desmantelamento do regime” iraniano e de suas capacidades militares e que o Estado hebreu ainda tem “mais surpresas reservadas” contra Teerã.
Na quinta-feira, Trump exigiu “participar” na definição do sucessor do aiatolá Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia de bombardeios de seu país e de Israel contra o Irã. Ele afirmou que o filho do líder supremo não era “aceitável” em sua opinião para dirigir o país.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, declarou ao canal americano NBC que seu país não buscava um “cessar-fogo, nem negociações”.
No sétimo dia de guerra, o Irã parece conservar a capacidade ofensiva. Arábia Saudita e Catar anunciaram na manhã de sexta-feira que impediram ataques com drones e mísseis contra bases aéreas. No Bahrein, um hotel e vários prédios residenciais foram atingidos.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, anunciou uma nova salva de projéteis contra Tel Aviv, onde foram ouvidas explosões na noite de quinta-feira, sem o relato de vítimas.
O grupo pró-iraniano Hezbollah, contra o qual Israel conduz uma ampla ofensiva no Líbano, também informou que lançou foguetes e artilharia em direção ao território israelense.
O Exército do Estado hebreu recebeu na véspera a ordem de avançar mais profundamente no sul do Líbano para ampliar sua zona de controle na fronteira, segundo o general Zamir.
Pânico em Beirute
Na quinta-feira, o pânico já havia dominado a cidade de Beirute, após uma advertência sem precedentes de Israel para a retirada dos moradores dos subúrbios do sul da capital. Engarrafamentos foram observados neste reduto do Hezbollah, onde vivem centenas de milhares de pessoas.
Durante a noite, a área foi alvo de ataques, um deles “muito violento”, segundo a agência Ani.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 123 pessoas morreram e 683 ficaram feridas desde segunda-feira.
No Irã, a agência Irna anunciou um balanço de 1.230 mortos desde sábado, número que a AFP não tem condições de verificar.
Em Israel, o conflito deixou pelo menos 10 mortos, segundo as autoridades.
Na frente de batalha naval, as autoridades dos Estados Unidos afirmaram que afundaram 30 navios iranianos desde o início da guerra.
Mas o Estreito de Ormuz, crucial no Golfo Pérsico e por onde normalmente transitam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial, continua, de fato, intransitável.
Em outra via estratégica, o Mar Vermelho, os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, afirmaram que têm “o dedo no gatilho” e que estão “preparados para responder a qualquer momento”.