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Leite oficializa pré-candidatura à Presidência: ‘Ciclo de desenvolvimento’

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), oficializou nesta sexta-feira, 6, sua pré-candidatura à Presidência da República para o pleito deste ano. Por meio de uma publicação em suas redes sociais, o político reuniu uma série de propostas em um “manifesto do Brasil”.

Leite, novamente, reiterou ser uma “terceira via” frente à polarização política. “Nada na história econômica moderna se compara ao impacto que estamos prestes, muito em breve, a experimentar. O Brasil, porém, permanece dividido, fragmentado, excessivamente concentrado em disputas ideológicas e paroquiais que não produzem solução”, disse.

Para o pré-candidato, o País precisa de “um novo ciclo de desenvolvimento”; por isso, elaborou sete pontos descritos em seu manifesto. São eles:

  1. Governabilidade não é detalhe. É condição de futuro;
  2. Responsabilidade fiscal é compromisso com os mais vulneráveis;
  3. Produtividade é crescimento agora e justiça social de longo prazo;
  4. Inteligência artificial: ameaça ou prioridade?;
  5. Um Brasil de oportunidades para reconstruir a confiança no futuro;
  6. Um chamado à nossa responsabilidade histórica.

“É com esta convicção, com fé e independência, que coloco meu nome à disposição do país”, finalizou a publicação.

Leite procura se diferenciar dos seus outros correligionários: Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Os três são pré-candidatos do PSD ao Palácio do Planalto e disputam a preferência do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Importante relembrar que Caiado foi o primeiro a anunciar sua pré-candidatura à Presidência, em abril de 2025, quando ainda integrava o União Brasil. O governador de Goiás migrou da legenda para o PSD em janeiro de 2026. Ao anunciar a filiação, Caiado classificou a decisão como um gesto de “desprendimento” e disse que aquele que “for escolhido” para a eleição presidencial terá o apoio dos demais — nenhum dos três políticos, portanto, abre mão da empreitada neste momento.

Flávio dentro, Tarcísio fora

A concentração de presidenciáveis na agremiação presidida pelo ex-ministro Gilberto Kassab sucede uma série de declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que não concorrerá à sucessão de Lula em outubro.

Kassab é secretário de Governo de Tarcísio — posição essencial para a multiplicação de prefeituras do PSD no estado — e não esconde a predileção pelo governador paulista para o cargo. “A minha posição pessoal e a do PSD é que nosso candidato a presidente é o Tarcísio. Se ele não for, será o Ratinho ou o Eduardo Leite“, afirmou o dirigente semanas antes da filiação de Caiado.

Nos demais partidos da centro-direita, como União Brasil, PP e no próprio Republicanos de Tarcísio, além de setores do empresariado, havia a tendência de unificação do campo ao redor de um projeto presidencial do governador paulista. Em linhas gerais, é consenso que, mesmo sendo ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), ele teria capacidade de, no plano nacional, atrair setores refratários a Lula, mas distantes do bolsonarismo.

O curso foi alterado em dezembro. Da prisão onde cumpre pena por uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente lançou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como pré-candidato à Presidência. Entre os elegíveis, o “01” é quem melhor performa nas pesquisas de intenção de voto contra o petista; as lideranças do “Centrão”, no entanto, ainda não aderiram à candidatura pelos altos índices de rejeição que o sobrenome atrai.

Em demonstração de fidelidade ao ex-chefe, Tarcísio reiterou publicamente o desejo de um novo mandato no Palácio dos Bandeirantes e dará palanque a Flávio em São Paulo. Sem o ex-ministro, o caminho para o PSD alçar voo solo ficou mais aberto.

O ‘projeto nacional’ sem Lula ou Bolsonaro

Para os três governadores, a brecha é suficiente. Em artigo publicado no Brazil Journal, Ratinho afirmou que o Brasil precisa “virar a página do atraso, da ineficiência e da briga política alimentada por dois extremos que se retroalimentam”. O paranaense passou a colocar o nome à disposição do projeto desde a prisão de Bolsonaro, de quem é aliado.

Leite, por sua vez, defende uma “terceira via” desde a eleição entre Lula e o ex-presidente, em 2022, quando tentou enfrentá-los nas urnas pelo PSDB. Após a chegada de Caiado, defendeu a tese de que ambos mostram “desprendimento” de projetos individuais e compromisso com um “projeto nacional”.

No mesmo evento em que o gaúcho se pronunciou, em São Paulo, o governador de Goiás também associou a quantidade de pré-candidatos ao desapego de projetos individuais. “O que nós temos que esperar agora é o Kassab, certo? É ele soltar a fumacinha branca para saber quem é que vai ser aqui o ungido para poder ser o candidato a presidente pelo PSD”, afirmo.

Renato Dorgan, cientista político e proprietário do instituto de pesquisas Travessia, disse que a profusão de presidenciáveis possibilita a negociação pela vaga de vice nas chapas mais competitivas. “As várias alternativas fazem com que a eleição tenha de passar pelo PSD“, afirmou à IstoÉ.

Entre os três, Ratinho e Caiado alcançam os melhores índices de intenção de voto nas pesquisas, mas não superam Lula ou Flávio Bolsonaro em cenários de primeiro turno. À IstoÉ, a assessoria de Kassab reiterou que a sigla tem três pré-candidatos a presidente e definirá seu nome entre eles.

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