O programa Bar do Vaz, transmitido nas plataformas digitais do ac24horas, nesta terça-feira (10) recebeu o senador Márcio Bittar (PL-AC), recentemente oficializado como pré-candidato ao Senado na chapa que deve ser formada ao lado do governador Gladson Cameli. A composição mira as duas vagas que estarão em disputa para o Senado Federal.
O programa iniciou abordando a não candidatura de Tião Bocalom pelo PL nas eleições deste ano. Segundo ele, em 2024 caminhou com Bocalom, além de relembrar a sua parceria com Gladson Cameli. Durante a entrevista, o senador Márcio Bittar também relembrou bastidores da campanha de 2018 e destacou o papel do então candidato ao governo, Gladson Cameli, em sua eleição ao Senado.
Segundo Bittar, Gladson teve atuação decisiva na reta final da disputa. “Quando entra em campanha, é um dos melhores que eu conheço no Acre. Na reta final, quando ele decidiu ir para o microfone, praticamente parou de pedir voto para ele e passou a pedir voto para mim. O Petecão também ajudou, mas ele era o líder, era o candidato a governador”, afirmou.
O senador Márcio Bittar afirmou que a prioridade do Partido Liberal (PL) é a eleição do presidente da República e do presidente do Senado Federal. Segundo ele, essa diretriz está alinhada ao projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu não vou negar que a prioridade é essa. Falo isso aqui e em todo lugar: a prioridade é a eleição do presidente do Brasil e do presidente do Senado. É isso que é prioridade para o meu líder, Jair Bolsonaro”, declarou.
Bittar também ressaltou a importância da manutenção da aliança no Acre para fortalecer sua tentativa de reeleição. Ele reconheceu que enfrentará uma disputa difícil nas urnas e destacou que o apoio do governador Gladson Cameli e da vice-governadora Mailza Assis é estratégico para seu projeto político. “Eu não tenho uma campanha fácil, não tenho uma reeleição simples. A manutenção da aliança com o Gladson e com a governadora Mailza é muito importante para mim. E o Bocalom entendeu isso”, afirmou.
O senador Márcio Bittar afirmou que, embora o prefeito Tião Bocalom tenha o direito de disputar o governo do Estado, a expectativa é de que ele permaneça no Partido Liberal (PL). “Quero encerrar esse assunto dizendo que o Bocalom tem todo o direito. Ele não saiu do PL, e nós não queremos que ele saia. Mas, se decidir deixar o partido ou a aliança para ser candidato ao governo, é um direito dele. E ele não será meu adversário, até porque o candidato a presidente que ele apoia é o mesmo que eu apoio”, declarou.
Bittar também defendeu o nome da ex-deputada federal Jéssica Sales como candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Mailza Assis. Segundo ele, pesquisas qualitativas indicam que o nome da ex-parlamentar fortalece a composição.“A Jéssica soma muito. A gente já tinha essa intuição, mas as pesquisas qualitativas confirmaram. Ela agrega à chapa”, afirmou.

O senador fez duras críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao tratar sobre desenvolvimento econômico na região amazônica. Segundo ele, a Amazônia precisa avançar social e economicamente, e as atuais políticas ambientais estariam dificultando esse processo. “Nós precisamos libertar a Amazônia. A Amazônia precisa progredir. Não faz sentido uma região tão rica conviver com pobreza e falta de oportunidades”, afirmou.
O parlamentar também questionou restrições à exploração de recursos naturais e defendeu mudanças no modelo de desenvolvimento aplicado à região. Para ele, o excesso de limitações impede a geração de emprego e renda. “Aqui não pode fazer nada. Os jovens estão desempregados, muitos não veem perspectiva. Vão estudar para trabalhar onde?”, declarou.
Bittar também comentou sobre a possibilidade de sabatina e votação de indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) no atual cenário político. Ele afirmou que não votaria favoravelmente à indicação de Messias para a Corte. “De jeito nenhum. Isso é um soldado do partido. É alguém alinhado ao governo. Eu não voto”, declarou.
Bittar criticou o que considera indicações de perfil estritamente partidário e citou outros nomes que, segundo ele, teriam atuado de forma semelhante em governos anteriores. Para o senador, o atual Senado, sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não teria legitimidade política para avançar com esse tipo de indicação neste momento.
“Eu defendo a tese de que este Senado, com este governo, perdeu legitimidade para indicar quem quer que seja. O mínimo de respeito que ainda resta é deixar o povo votar. Em breve haverá eleição para presidente da República e renovação do Senado. Que o novo governo e o novo Senado indiquem e decidam se aprovam ou não”, afirmou.
O senador Márcio Bittar afirmou que acredita na vitória de Mailza Assis nas eleições deste ano, em eventual disputa contra o senador Alan Rick.
Segundo ele, diversos fatores favorecem a candidatura da progressista. “Eu acredito na vitória dela. Primeiro, é uma mulher. O Acre tem suas particularidades políticas, e essa questão da esquerda, do PT, ainda é muito forte. A Mailza não tem nenhum fato que a desabone”, declarou.

Bittar destacou ainda a trajetória política da vice-governadora, lembrando que ela já ocupou o cargo de senadora e, segundo ele, mantém uma imagem preservada. “Ela ocupou o Senado, como você mesmo disse, e não há nada que a desabone. Antes mesmo de se tornar uma figura mais conhecida, já tinha envolvimento com a política. Sempre teve uma postura muito correta”, afirmou.
Durante a entrevista, Marcio Bittar também comentou sobre o ex-aliado Eduardo Velloso, com quem mantinha uma relação de amizade. Para o senador, houve um distanciamento político entre os dois. “Eu fui obrigado a perceber que a amizade parecia existir apenas da minha parte. Mas é um direito dele, não tem problema nenhum. Confesso que me surpreendeu, mas ele tem todo o direito de tentar se viabilizar”, contou.
O senador acreano se mostrou favorável à anistia e criticou a esquerda. “Total. Isso é uma das coisas que eu não contava que iria ver. Eu peguei o finalzinho da campanha da anistia de 79. Como é que você convive bem, tendo havido uma anistia? Foram várias. Vamos pegar a última, de 79. Foram anistiadas pessoas que mataram, que sequestraram, que assaltaram banco, que pegaram em armas. E eles não negam isso. Não negam também que, em momentos de lucidez, Fernando Gabeira e Caetano Veloso declararam que não lutavam pela democracia, mas pela ditadura do proletariado. Então, Roberto, vamos lá: esse grupo lutava por uma revolução no Brasil, por um golpe de Estado. Para isso, pegaram em armas, foram para a guerrilha urbana e rural e foram anistiados. Que coração duro é esse? É o mesmo coração do Stalin, o mesmo coração do Che Guevara, um coração de ferro. Só vale para eles. Eles se anistiam, mesmo tendo matado pessoas, e hoje não pode anistiar quem não pegou em arma. Que golpe teve aqui no Brasil? A esquerda é cruel. Só protege os seus. Aqui no Acre houve mulher vítima de agressão ligada à esquerda, e eles passaram pano. Eu lembro de um movimento aqui em Rio Branco em que um político do PT falou de mulheres da Justiça de forma desrespeitosa, e ficou por isso mesmo. O filho do Lula foi acusado de agredir a mulher, e eles ficaram em silêncio. Defendem o Irã, onde o aiatolá mandava estuprar antes de matar mulheres, onde se apedrejava mulher em praça pública por tirar o véu, e ainda assim passam pano. Então é isso: anistiaram ladrão, anistiaram assassino, anistiaram sequestrador — e agora não pode anistiar outros? Essa é a minha posição”, afirmou.

