O bolso do transportador brasileiro está sentindo o peso direto da crise internacional. O preço do diesel no Brasil registrou uma disparada de 25% em menos de vinte dias, atingindo a média nacional de R$ 7,22 nesta quarta-feira (19/3). No final de fevereiro, antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, o valor médio praticado era de R$ 5,74. Os dados revelam um cenário de pressão extrema sobre a logística nacional, superando o ritmo de atualização das agências oficiais.

De acordo com o portal g1, o levantamento foi realizado pela empresa de gestão de frotas TruckPag, com base em mais de 143 mil transações reais de compra em 4.664 postos de combustíveis espalhados por rodovias de todo o país.
Atraso da ANP e o Choque Real
A velocidade da alta tem sido tão acentuada — cerca de 1% ao dia — que os dados semanais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apresentam uma “janela de atraso” em relação ao que o caminhoneiro paga no balcão.
- Dependência Externa: Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado. Com a valorização do barril de petróleo no mercado internacional, o custo chega mais caro aos portos e é repassado imediatamente.
- Impacto Logístico: Como 81,9% das transações monitoradas foram feitas por caminhões, o aumento atinge o coração do escoamento de safra e abastecimento industrial.
- Medidas Governamentais: Embora o governo tenha anunciado subsídios de R$ 0,32 e redução de tributos, o efeito prático ainda não foi suficiente para frear a escalada de preços.
Estados com as Maiores Altas no Preço do Diesel
Confira o ranking regional dos estados que sofreram os maiores reajustes desde 28 de fevereiro:
| Região | Estado Destaque | Aumento (%) |
| Norte | Tocantins | 37,1% |
| Sul | Santa Catarina | 29,9% |
| Centro-Oeste | Goiás | 29,2% |
| Nordeste | Piauí | 28,0% |
| Sudeste | São Paulo | 27,0% |
Reflexos na Inflação e no Prato do Brasileiro
Especialistas ouvidos pelo g1 alertam que a alta do preço do diesel funciona como um gatilho inflacionário. Como o transporte rodoviário é o principal modal do país, o aumento do frete deve ser repassado para o valor final dos alimentos, como cebola, alface e feijão, em um prazo estimado de 30 dias.
O fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e ataques a refinarias seguem como os principais fatores de risco. Enquanto o impasse internacional persistir, a tendência é de manutenção do patamar elevado, desafiando a economia brasileira a encontrar alternativas para mitigar o impacto no custo de vida da população.