O governador do Paraná, Ratinho Júnior, elogiou a escolha de Ronaldo Caiado como o candidato à Presidência da República pelo PSD. O governador goiano será oficializado nesta segunda-feira como o nome do partido na corrida eleitoral durante evento em São Paulo com a presença do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.
Favorito do PSD para ser candidato à presidente, Ratinho Júnior anunciou a desistência de concorrer ao cargo na semana passada. Após a confirmação do nome de Caiado, o mandatário paranaense classificou processo de escolha interna do PSD como um “exemplo de compromisso com a democracia”.
“A definição do partido pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, reforça que a legenda apostou num homem aprovado como gestor, com trabalho reconhecido nacionalmente, sobretudo, em áreas vitais como educação e a segurança”, afirmou Ratinho Júnior. “O entusiasmo (de Caiado) em servir é fonte de inspiração para todos aqueles que acreditam num Brasil moderno, que ofereça oportunidade aos jovens e reconheça a força da iniciativa privada como fonte de crescimento”, acrescentou.
Apesar do apoio a Caiado, Ratinho Júnior publicou uma mensagem de “reconhecimento” ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também pleiteava a indicação. O paranaense elogiou a “grandeza e o espírito público” de Leite, destacando o seu papel no reequilíbrio fiscal gaúcho e o seu reposicionamento no cenário nacional.
Ratinho pegou Kassab e aliados de surpresa com o anúncio da saída da corrida. O movimento foi motivado por pedidos da família, que quis evitar a exposição da campanha, e também pela conjuntura local no Paraná, com os riscos atrelados à candidatura do ex-juiz Sergio Moro ao governo do estado pelo PL de Flávio Bolsonaro. A desistência abriu caminho para Caiado ser o cabeça de chapa.
Nos últimos dias cresceu a pressão, vinda de personalidades de centro de fora do PSD, para que Eduardo Leite fosse o escolhido pelo PSD. Os economistas e ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Pérsio Arida se posicionaram publicamente a favor de uma candidatura de Leite. Até a decisão final da cúpula, o chefe do Executivo gaúcho ainda tentava minar o favoritismo do goiano e se viabilizar como presidenciável. Chegou a ameaçar internamente não endossar a candidatura do correligionário, o que a esvaziaria — num cenário em que a sigla já enfrenta divisões regionais e não conseguirá ter todos os diretórios estaduais apoiando o presidenciável, seja ele quem for.
O próprio Leite reforçou a estratégia de dar declarações que o colocavam como única opção de centro para a eleição, capaz de se desvincular tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Já Caiado tem décadas de trajetória na direita brasileira e ficou próximo ao bolsonarismo nos últimos anos, a despeito de alguns atritos pessoais com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Enquanto pressionava Gilberto Kassab com base no argumento de alternativa à polarização e com apoios do mercado financeiro, o governador do Rio Grande do Sul via Caiado angariar o aval de setores como o agronegócio, além de parcelas mais à direita do próprio partido.
A avaliação na cúpula do PSD é que Caiado conseguiu se posicionar melhor nacionalmente e que ele já era o segundo na fila, depois de Ratinho. O governador de Goiás pontua melhor nas pesquisas que Leite, tem se posicionado com mais firmeza e demonstrado mais vontade de participar do período eleitoral nessa fase de pré-campanha.
Caiado anunciou que vai deixar o governo de Goiás nesta terça-feira e passará o comando do estado para o seu vice, Daniel Vilela (MDB). Diferente de Ratinho e também de Leite, a situação local do futuro candidato do PSD ao Palácio do Planalto é estável. Vilela lidera as pesquisas de intenção de voto para governador e a primeira-dama Gracinha Caiado aparece como favorita para uma das vagas no Senado.
Eduardo Leite, que já declarou que disputaria o Senado caso não fosse escolhido candidato a presidente, descartou na semana passada pleitear qualquer cargo que não fosse o Planalto. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele disse que vai permanecer no governo do Rio Grande do Sul até o final do mandato, que se encerra neste ano, descartando também ser vice de Caiado.

