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Tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa: o que pesa contra o ‘Pablo Escobar brasileiro’ na Bélgica

Acusado de tráfico internacional de drogas em larga escala, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, o ex-major da PM Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, volta a ser julgado nesta segunda-feira na Bélgica sob a suspeita de comandar uma rede responsável pelo envio de toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa.

O principal eixo do processo é o tráfico internacional de drogas, considerado pelas autoridades europeias como a espinha dorsal da atuação do grupo. Segundo as investigações, Carvalho teria coordenado o envio de ao menos 45 toneladas de cocaína entre 2017 e 2019, utilizando rotas que partiam de portos brasileiros, como Santos e Paranaguá, com destino a centros logísticos como Antuérpia, Hamburgo, Barcelona e Lisboa.

A acusação sustenta que ele não atuava de forma isolada, mas como um dos líderes de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções e atuação contínua em diferentes países. Nesse esquema, o brasileiro é apontado como responsável por articular fornecedores na América do Sul, operadores logísticos e redes de distribuição na Europa, conectando as diferentes etapas da cadeia do tráfico.

Tráfico internacional, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Outro ponto central do caso é a lavagem de dinheiro. As autoridades indicam que o grupo movimentou valores bilionários, utilizando empresas de fachada, transações internacionais e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem ilícita dos recursos. A vida de luxo mantida por Carvalho na Europa, sob identidade falsa, é citada como um dos indícios desse mecanismo.

O uso de documentos falsos e identidades fictícias também integra o conjunto de crimes atribuídos ao ex-policial. Durante anos, ele viveu fora do Brasil sob o nome de Paul Wouter, apresentando-se como empresário estrangeiro, o que teria facilitado sua circulação e permanência em diferentes países sem ser identificado pelas autoridades.

As investigações apontam ainda para práticas que podem ser enquadradas como fraude e obstrução de justiça, especialmente no episódio em que Carvalho simulou a própria morte durante a pandemia de Covid-19, utilizando documentação falsa para escapar de processos e desaparecer temporariamente do radar policial.

O julgamento ocorre após a anulação do processo anterior pela Justiça belga, que identificou irregularidades na condução das audiências, especialmente após o encerramento da fase de debates sem que acusação e defesa apresentassem suas alegações finais. Com novos juízes, o caso será reexaminado desde o início, mantendo o mesmo conjunto de acusações.

Na prática, o julgamento vai analisar a responsabilidade de Carvalho pelas acusações apresentadas pelas autoridades europeias, que incluem tráfico internacional de drogas em larga escala, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro, com base nas investigações sobre o envio de cocaína da América do Sul para a Europa e na estrutura utilizada para viabilizar essas operações.

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