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Artemis II: tripulação volta para a Terra nesta sexta-feira após recorde em viagem à Lua

A jornada histórica da missão Artemis II deve ser concluída nesta sexta-feira, 10, com a reentrada da cápsula Orion na Terra e a amerissagem no Oceano Pacífico. De acordo com a Nasa, o pouso na água está previsto para ocorrer na costa de San Diego, às 17h07 (21h07 no horário de Brasília). Os momentos finais da missão serão transmitidos ao vivo pela a agência espacial americana.

Antes da reentrada, a tripulação – composta por Reid WisemanVictor GloverChristina Koch e Jeremy Hansen – deve realizar a terceira queima de correção da trajetória, etapa essencial para ajustar a trajetória da nave e garantir que a Orion atinja o ângulo exato de entrada na atmosfera.

“Podemos começar a comemorar assim que a tripulação estiver em segurança” a bordo da embarcação de recuperação, observou Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira.

“Será realmente o momento em que podemos deixar as emoções tomarem conta e começar a falar em sucesso”, acrescentou.

O retorno à Terra é considero uma das fases mais delicadas da missão. A Orion atingirá velocidades próximas a 40.000 km/h, gerando temperaturas de aproximadamente 2.800°C — cerca de metade da temperatura da superfície do Sol. A integridade do escudo térmico é o ponto mais crítico da operação, pois caso seja danificado ou apresente rachaduras, pode comprometer a segurança da tripulação. As preocupações são intensificadas pelo fato de ser o primeiro voo tripulado da Orion e por ter sido detectado um problema durante um teste não tripulado em 2022.

Durante seu retorno à Terra, o escudo térmico que protege a espaçonave ficou comprometido “de maneira inesperada”, segundo um relatório técnico.

Apesar dessa anomalia, a agência espacial americana decidiu manter o mesmo escudo, ajustando sua trajetória de voo para um ângulo de entrada atmosférica mais direto, limitando a manobra de “salto” que contribuiu para sua degradação.

A decisão gerou comentários e ainda pesa sobre a alta cúpula da Nasa. “Não vou parar de pensar nisso até que estejam na água”, reconheceu o chefe da Nasa, Jared Isaacman, em uma entrevista recente.

“Não posso dizer que não há nenhuma apreensão irracional”, admitiu seu adjunto na quinta-feira, ao mesmo tempo em que afirmou não sentir preocupação racional sobre o assunto.

Destacando os vários testes, simulações e modelagens realizados, os funcionários da Nasa garantem que confiam nos cálculos de seus engenheiros e contam com uma margem de segurança suficiente.

Após o pouso na costa de San Diego, enquanto os astronautas são transportados por helicóptero para um navio de recuperação, um mergulhador irá ao oceano para fotografar o escudo térmico por baixo — fornecendo aos gestores da missão algumas das primeiras evidências de seu desempenho.

“Atravessar a atmosfera como uma bola de fogo” será uma experiência tremenda, observou o piloto Victor Glover no início desta semana, confessando que, desde sua seleção para a tripulação em 2023, tem sentido uma certa apreensão em relação a esse momento.

Recorde quebrado e objetivos do sobrevoo

A Artemis II redefiniu os limites da exploração aeroespacial. Durante a missão, Reid WisemanVictor GloverChristina Koch e Jeremy Hansen quebraram o recorde de distância da Terra estabelecido pela Apollo 13 em 1970. Ao atingir o ponto mais distante de sua trajetória de retorno livre, os astronautas estiveram a milhares de quilômetros além do lado oculto da Lua.

Os objetivos centrais deste sobrevoo lunar incluíram:

Além dos dados técnicos, a missão capturou registros visuais por meio de sistemas de câmeras de alta definição. A tripulação realizou fotos inéditas da superfície lunar e do fenômeno “Earthrise” (o nascer da Terra no horizonte da Lua).

As imagens detalham crateras no lado oculto do satélite, áreas raramente observadas com tal proximidade. Segundo a agência espacial, as fotografias possuem valor científico para a geologia lunar e reforçam o cronograma para a instalação de uma base permanente na Lua e futuras missões tripuladas rumo a Marte.

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