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Dólar abaixo de R$ 5 há 4 dias: já é hora de comprar ou movimento vai continuar? Analistas respondem

O dólar está há quatro dias operando em grande parte das sessões abaixo dos R$ 5, no menor valor para o câmbio em mais de dois anos. Ontem, o dólar encerrou praticamente na estabilidade, em ligeiro avanço de 0,02%, valendo R$ 4,992. Uma série de fatores influenciam a divisa a operar neste patamar, como o forte fluxo de estrangeiros em direção aos investimentos brasileiros e a alta taxa de juros, convidativa para aplicar em renda fixa no Brasil.

Mas, para quem vai viajar parar o exterior vale a pena esperar um pouco mais para ver a cotação do dólar em relação ao real operar num nível mais baixo, ou é melhor se adiantar, aproveitando a janela de oportunidade não vista há 25 meses? E mais: qual o melhor método para levar os valores nas viagens?

Especialistas afirmam que o atual patamar é excelente para quem pensa em comprar dólares para viajar, mas estratégias para evitar perder oportunidades futuras ou se precaver de novas altas é o mais indicado.

— Como a volatilidade é uma característica constante do mercado de câmbio, nossa recomendação é adotar uma estratégia de compra fracionada — diz Helene Romanzini, líder de Produto da corretora de câmbio Wise no Brasil.

Ela recomenda realizar compras graduais, com a tática conhecida de mirar no “preço médio”, permitindo diluir o risco e alcançar um valor para a moeda equilibrado ao longo do tempo. No fim das compras, o dólar comprado em várias ocasiões não seria nem tão baixo nem tão alto comparado a qualquer cenário presente.

Cenário favorável a queda

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, os fundamentos para a valorização do real seguem positivos, como:

— Esses fatores têm sido os principais responsáveis pela queda do dólar e poderiam até justificar a moeda americana negociando sistematicamente abaixo de R$ 5. Por outro lado, 2026 é ano eleitoral, e esse ciclo costuma trazer volatilidade cambial — afirma ele, que também endossa a compra gradual do câmbio em caso de viagens ao exterior.

Volatilidade deve aumentar mais perto da eleição

Com a aproximação das eleições, em outubro, a tendência é que o mercado financeiro reflita mais as notícias relacionadas ao pleito, implicando em dias de grande volatilidade nos preços.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, ainda vê o atual patamar da divisa como um nível interessante para quem não possui parte da carteira de aplicações em investimentos internacionais:

— Mesmo que você não viaje para fora, entendemos que o ideal é ter de 20% a 30% do patrimônio em dólar e, se você viaja mais para fora, o ideal é ter ainda mais. Tão importante quanto o preço do dólar é o que você faz com ele, colocando ele para trabalhar para ti — ele diz.


Mas quais métodos são os mais indicados usar moeda estrangeira lá fora

Conta global

As contas globais, que foram popularizadas pelos cartões Wise e Nomad, são hoje uma modalidade oferecida por diferentes bancos e corretoras. Na prática, ela é uma conta corrente aberta no exterior. O cadastro pode ser feito de forma simples, pelo celular, e na maioria das vezes sem taxa de manutenção.

A compra de dólares (ou euros, libras, pesos, etc., já que muitos desses cartões oferecem opção de conversão para diferentes divisas) é feita através de Pix, e o cliente pode acompanhar seu saldo pelo celular. Os pagamentos podem ser feitos por cartão físico ou virtual.

As contas globais contam ainda com uma vantagem tributária. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as contas de investimento globais é de só 1,1% – mesma taxa cobrada de quem compra dólar em espécie.

E a cotação do câmbio, que normalmente é a comercial, é outro diferencial. Na compra de dólar em espécie ou cartões pré-pagos, a cotação é do câmbio turismo.

Nessas contas, há ainda a disponibilidade de comprar aos poucos, se aproveitando de um valor médio, e deixar o dinheiro render através de aplicações conservadoras. Na Wise, por exemplo, o produto Rende+ permite o depósito render até o dia em que o cliente desejar usar o saldo.

Dólar em espécie

A compra de dólares, euros ou outras divisas em cédulas tem uma cobrança menor de IOF, de 1,1%, mas as cotações nem sempre são vantajosas. Na maioria das casas de câmbio, a cotação cobrada é a turismo, que possui um acréscimo no valor por conta dos custos envolvendo a logística com o dinheiro em espécie.

Para se ter uma ideia, o dólar comercial encerrou aos R$ 4,99, enquanto o dólar turismo fechou cotado a R$ 5,18.

Especialistas recomendam levar apenas uma pequena quantia para compras imediatas ao chegar no país de origem ou para eventuais emergências. O limite para embarques definido pela Receita Federal é de US$ 10 mil. A partir disso, é necessário declarar.

— A proporção ideal entre dinheiro vivo e saldo digital varia conforme a infraestrutura do destino — diz Shahini, da Nomad.

Cartão pré-pago

Nos cartões pré-pagos, conhecidos como travel money, o pagamento é realizado na hora da compra da divisa, com a cotação do momento. O IOF é, assim como o do cartão de crédito, de 3,5%. Caso o cliente não gaste tudo que depositou em moeda estrangeira nesses cartões, há a opção de resgatar sobras, mas geralmente com taxas.

Cartão de crédito

A modalidade mais prática, bastando liberar as compras internacionais com o banco, pode ser também a mais custosa. Isso porque uma das principais taxas é a do imposto sobre operações financeiras, o IOF: 3,5%.

O câmbio nessa modalidade tem como base a “PTAX”, cotação definida pelo Banco Central. Mas a instituição financeira do cartão usado pode cobrar um ágio sobre o preço dado pela autoridade monetária. Por isso, o turista deve estar atento se será cobrada a cotação do dólar no dia da compra ou na data do fechamento da fatura.

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