Preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo, que apura a movimentação de mais de R$ 1,6 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro, o cantor MC Poze do Rodo construiu uma trajetória marcada pela ascensão no funk carioca, episódios policiais e ostentação nas redes sociais.
Nascido na Favela do Rodo, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, o artista ganhou projeção nacional a partir do fim da década de 2010, com músicas que retratam o cotidiano das comunidades. Faixas como “Tô voando alto”, “Vida louca” e “Essência de cria” ajudaram a impulsionar sua carreira e o colocaram entre os nomes mais populares do gênero, com milhões de reproduções nas plataformas digitais e agenda constante de apresentações.
Antes da música, Poze teve envolvimento com o tráfico de drogas ainda na adolescência, experiência que afirma ter abandonado ao investir na carreira artística. A vivência nas comunidades segue como elemento central de suas letras, o que frequentemente o coloca no centro de debates sobre apologia ao crime.
Em 2019, durante um show em Sorriso (MT), foi preso sob acusações como apologia ao crime, corrupção de menores e tráfico de drogas. O episódio ganhou repercussão nacional e marcou um dos primeiros momentos de maior exposição pública fora do meio musical.
Desde então, o cantor acumulou outras controvérsias e passou a ser alvo de investigações. Autoridades apontam suspeitas relacionadas à realização de shows em áreas dominadas por facções criminosas e à presença de homens armados nesses eventos, o que reforçou o monitoramento de suas atividades por forças de segurança.
Paralelamente à carreira, Poze construiu uma imagem associada ao luxo e à ostentação. O artista costuma exibir nas redes sociais joias de alto valor, carros importados e momentos de consumo elevado. Em uma das operações recentes, mais de 20 peças de ouro e diamantes foram apreendidas, avaliadas em cerca de R$ 1,9 milhão, além de veículos de luxo ligados ao seu entorno.
Com forte presença digital, o funkeiro reúne milhões de seguidores e mantém alta audiência nas plataformas de streaming.
Entenda a operação
Os MCs Ryan SP e Poze do Rodo foram presos pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (15) em uma das etapas da Operação Narco Fluxo. A ação, que também tem como alvo o empresário de Ryan e influenciador Chrys Dias, foi deflagrada com o objetivo de desarticular uma associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores no Brasil e no exterior, inclusive por meio de criptoativos. A ação contou com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Segundo as investigações, o grupo atuava em esquemas de lavagem de capitais, utilizando um sistema estruturado para ocultação e dissimulação de recursos. Entre os métodos identificados estão operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com ativos digitais. O volume movimentado pelos suspeitos ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
Mais de 200 policiais federais cumprem 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos. As diligências ocorrem em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, incluindo o sequestro de bens e restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, já foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que devem subsidiar o aprofundamento das investigações, além de um fuzil. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em nota, a defesa do MC Poze do Rodo afirmou que “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão”, e que “com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”.

