Os dados do Sistema Integrado de Contabilidade, Administração Financeira e Orçamentária do Estado do Acre (Sicaf) revelam que os gastos públicos do Governo do Estado tendem a crescer em anos eleitorais, com aceleração já nos primeiros meses do ano. Em 2026, quando os acreanos voltam às urnas, o comportamento se repete em nível recorde. A apuração foi feita pelo ac24horas na última quarta-feira (8), levando em conta os últimos 10 anos.
No primeiro trimestre deste ano, no qual o ex-governador Gladson Cameli (PP) é pré-candidato ao senado e a governadora Mailza Assis (PP) tentará ser eleita para chefe do executivo, o governo estadual empenhou R$ 3,3 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 2016. O montante representa um salto de cerca de 18% em relação ao mesmo período de 2025, ano não eleitoral, quando haviam sido empenhados R$ 2,8 bilhões. Em comparação com 2016, o crescimento é ainda mais expressivo: quase 200%.
A tendência de aumento em anos de eleição já havia sido observada anteriormente. Em 2018, por exemplo, o governador do Acre era Tião Viana (PT) e Marcus Alexandre – na época PT e hoje MDB – era o candidato do seu grupo político à chefia do executivo, o total empenhado chegou a R$ 6,04 bilhões, alta de 8,2% em relação a 2017. Já em 2022, quando Gladson Cameli foi reeleito, o avanço foi ainda mais significativo, com os gastos saltando de R$ 7,18 bilhões em 2021 para R$ 8,96 bilhões, um crescimento de 24,7%.
O movimento também aparece nos primeiros trimestres desses anos. Em 2018, o governo empenhou R$ 1,45 bilhão entre janeiro e março, aumento de 15% frente ao mesmo período de 2017. Em 2022, o valor chegou a R$ 1,79 bilhão, 11,5% superior ao registrado no início de 2021. Em ambos os casos, a elevação ocorreu antes mesmo do período mais intenso da campanha eleitoral.
Embora o crescimento das despesas públicas venha sendo contínuo ao longo da última década, passando de R$ 4,9 bilhões em 2016 para R$ 12,1 bilhões em 2025, os dados indicam que anos eleitorais costumam concentrar aumentos mais intensos. Em alguns casos, o período pós-eleição apresenta desaceleração ou até retração, como ocorreu em 2019, quando os gastos caíram após o pleito de 2018.
O cenário de 2026, no entanto, traz um elemento adicional de atenção. Apesar do volume recorde de empenhos no primeiro trimestre, os pagamentos efetivos não acompanharam o mesmo ritmo. Dos R$ 3,3 bilhões empenhados, apenas R$ 2,39 bilhões foram pagos até março, uma diferença de aproximadamente R$ 910 milhões, a maior da série histórica.
Nos anos anteriores, a execução orçamentária apresentava maior equilíbrio, com valores empenhados, liquidados e pagos muito próximos. A mudança observada agora pode indicar atraso na quitação de despesas ou aumento no volume de restos a pagar, o que tende a pressionar as contas públicas nos meses seguintes.
Embora haja regras que restringem determinadas condutas em anos eleitorais, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a legislação eleitoral, o aumento de gastos nesse período pode ocorrer por diversos fatores, incluindo ampliação de investimentos, execução de obras e aceleração de políticas públicas.

