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Homens são 92% das vítimas de homicídio no Acre em 2026

Os dados recentes da violência no Acre revelam um padrão persistente e aprofundam o entendimento sobre quem morre e em que circunstâncias. Um levantamento realizado pelo ac24horas na última quinta-feira (9), com base nos relatórios mensais de Mortes Violentas Intencionais (MVI) da Polícia Civil, mostra que, no primeiro trimestre de 2026, os homicídios no estado se concentram majoritariamente em homens, jovens e em contextos ligados à criminalidade.

Entre janeiro e março deste ano, o Acre registrou 40 homicídios. Desse total, 37 vítimas eram do sexo masculino, o equivalente a 92,5%, enquanto apenas 3 eram mulheres (7,5%), conforme os dados oficiais. A concentração cresce ao longo dos meses: em janeiro, os homens representavam 82% das vítimas; em fevereiro, 93%; e, em março, todos os assassinatos tiveram vítimas masculinas.

Além da predominância masculina, os relatórios permitem traçar um recorte etário das vítimas. Em janeiro, a maior parte dos mortos estava nas faixas entre 18 e 29 anos e entre 50 e 59 anos, ambas com 27,27% dos casos, seguidas por vítimas entre 30 e 49 anos. Em fevereiro, o perfil se torna ainda mais concentrado nos jovens: quase metade das vítimas (46,67%) tinha entre 18 e 29 anos. Já em março, embora haja maior dispersão, o grupo de 18 a 29 anos segue como o mais atingido, com 35,71% dos registros. Os dados indicam que a violência letal no estado incide principalmente sobre jovens adultos, repetindo uma tendência nacional.

Outro aspecto relevante é a predominância de vítimas autodeclaradas pardas. Em janeiro, 91% dos mortos pertenciam a esse grupo, enquanto em fevereiro os pardos representaram 80% das vítimas, seguidos por pequenas parcelas de pessoas brancas e pretas. Em março, os pardos continuaram como maioria (72%), com registros também entre indígenas e pretos, evidenciando um recorte racial importante da violência.

As circunstâncias dos crimes também ajudam a compreender o cenário. O uso de arma de fogo aparece como principal meio empregado nos homicídios ao longo de todo o trimestre. Em janeiro, esse tipo de arma foi utilizado em 37% dos casos, número que salta para 40% em fevereiro e atinge 64% em março, consolidando-se como o principal instrumento da violência letal no estado.

As motivações apontadas nas investigações preliminares indicam forte presença de dinâmicas relacionadas ao crime organizado. Em janeiro, quase metade dos casos (46%) foi associada à possível guerra entre facções. Em fevereiro, aparecem registros ligados a acertos de contas, disciplina interna de facções e conflitos associados ao tráfico de drogas. Em março, os dados reforçam esse cenário, com menções a execuções, conflitos entre grupos criminosos e casos classificados como motivação passional ou fútil, como brigas decorrentes de consumo de álcool.

Também chama atenção a distribuição temporal dos crimes. Em janeiro, a maior parte dos homicídios ocorreu no período noturno, entre 18h e 23h59. Em fevereiro, há uma divisão mais equilibrada entre tarde e noite, mas ainda com concentração nos horários de menor circulação institucional. Já em março, a madrugada passa a liderar os registros, seguida pelo período noturno, indicando maior incidência de crimes em horários de menor vigilância e maior vulnerabilidade.

Geograficamente, os homicídios se distribuem entre capital e interior, com variações ao longo dos meses. Em janeiro, houve predominância no interior (7 casos) em relação à capital (4). Em fevereiro, essa diferença aumenta, com 11 ocorrências no interior contra 4 em Rio Branco. Já em março, há equilíbrio, com 7 homicídios na capital e 7 no interior, mostrando uma interiorização da violência ao longo do trimestre.

Mesmo com a baixa participação feminina nos números gerais, os casos envolvendo mulheres seguem sob atenção, especialmente pela possibilidade de estarem relacionados à violência doméstica e ao feminicídio, tipificação que possui dinâmica própria e é analisada separadamente nos relatórios.

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