Início / Versão completa
COTIDIANO

Imagens de câmeras corporais mostram PMs combinando versão após morte de empresário

Por O Globo. 27/04/2026 10:06 Atualizado em 27/04/2026 10:06
Publicidade

Imagens de câmeras corporais dos policiais militares que mataram o empresário Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, na Pavuna, Zona Norte do Rio, na semana passada, desmontam a versão apresentada pelos agentes de que teriam agido em legítima defesa. Os vídeos, divulgados ontem pelo Fantástico, da TV Globo, revelam que os dois PMs monitoraram a vítima por horas e dispararam contra o carro em que ele estava sem dar ordem de parada.

Publicidade

Após os tiros, uma das gravações registra um dos agentes orientando como o caso deveria ser apresentado oficialmente:

“A gente fala que na tentativa de abordagem o elemento tentou jogar o carro contra a guarnição”.

A fala contrasta com a versão que os próprios policiais deram a moradores, à supervisão e na delegacia, de que teriam reagido a uma suposta ameaça. Segundo o relato inicial dos PMs, eles teriam tentado abordar o veículo e o motorista teria acelerado em direção à equipe. Ainda de acordo com essa versão, os disparos foram feitos “numa tentativa de salvaguardar a vida” dos agentes. As imagens, no entanto, não mostram blitz, bloqueio ou qualquer ordem de parada sendo emitida.

Publicidade

A investigação da Corregedoria da Polícia Militar aponta que os agentes acompanhavam os passos de Daniel desde 1h53 da madrugada, com apoio de um olheiro que repassava informações em tempo real. Em um dos trechos, um policial demonstra impaciência com a espera, enquanto o colega comenta: “É difícil, mas é o trabalho, tem que ter paciência. Se tivesse um dronezinho era melhor ainda”.

Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, morto por PMs na Pavuna — Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

Por volta das 3h, com a localização atualizada da vítima, os PMs se posicionaram na via por onde o empresário passaria. Nas gravações, um policial avisa ao colega: “Tá descendo o Russo agora!” Logo em seguida, as imagens mostram o momento em que um dos agentes avança a pé em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil. Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local.

Ele não estava sozinho no veículo, a picape era ocupada por outras três pessoas. Além de Daniel, estavam no veículo Michel Matheus Correia Ramos da Silva, Wesley Silva de Oliveira e Herick Souza dos Santos. Segundo relataram, o grupo voltava da Estrada de Botafogo no momento da abordagem. Os acompanhantes sobreviventes aparecem nas gravações logo após os disparos, em estado de desespero. “Meu Deus, mano. Pelo amor de Deus, mano! Coé, meu chefe, que que a gente fez?”, grita um deles. Outro relata que o empresário foi atingido no rosto.

Carro em que Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, foi morto a tiros na Pavuna — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

Moradores que se aproximaram após os tiros também questionaram a ação policial. Ainda assim, o agente que efetuou os disparos sustentou a versão de legítima defesa, repetindo o mesmo relato posteriormente por telefone e na delegacia.

Os dois policiais foram presos no mesmo dia por homicídio doloso. A Corregedoria afirmou que a ação não seguiu nenhum protocolo formal e investiga agora a motivação do crime, que ainda não foi esclarecida.

Daniel tinha 29 anos, era casado, pai de uma menina de 4 anos e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu, no Paraná. Mudança para Foz do Iguaçu

A irmã também contou que Daniel planejava deixar o Rio de Janeiro nos próximos meses. A ideia era se mudar com a esposa e a filha, de 4 anos, para Foz do Iguaçu. De acordo com a irmã, o carro atingido seria usado na mudança.

— Ele não queria mais morar aqui, queria viver os sonhos dele. Já estavam indo embora, ele trouxe o carro pra levar mudança. A gente mora aqui há mais de 22 anos — explicou Tais.

Na foto, Tais Oliveira (de preto) segura a irmã de Daniel Patrício Oliveira — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.