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Irã lança novos ataques e adverte sobre represálias ‘devastadoras’

O Irã lançou novos ataques contra Israel e os países do Golfo nesta segunda-feira, 6, acompanhados de uma advertência sobre represálias “devastadoras” caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra a ameaça de destruir instalações civis. Este novo capítulo na escalada de tensões ocorre mais de um mês após o início do conflito no Oriente Médio, que já causou milhares de mortes e impactou a economia global.

O que aconteceu

Em Israel, equipes de bombeiros informaram a descoberta de duas pessoas mortas sob os escombros de um edifício em Haifa, norte do país, atingido por um míssil iraniano no domingo. Outras duas pessoas permanecem desaparecidas.

O Exército israelense, por sua vez, anunciou uma nova série de ataques contra Teerã, intensificando a resposta militar.

A Guarda Revolucionária, força ideológica do Irã, confirmou nesta segunda-feira a morte de seu chefe de inteligência, o general Majid Khademi, em um bombardeio. Segundo a Guarda, Khademi “morreu como mártir no ataque terrorista e criminoso do inimigo americano-sionista”.

Na capital iraniana, uma instalação de gás foi danificada por um ataque, o que causou interrupção no abastecimento em parte da cidade, conforme noticiado pela televisão estatal Irib. A universidade vizinha à infraestrutura também sofreu danos.

A imprensa iraniana reportou que vários ataques atingiram bairros residenciais de Teerã, levando à evacuação de oito hospitais. Na cidade de Qom, no centro do país, cinco pessoas morreram em um ataque a um bairro residencial, segundo a agência Tasnim.

Após as ameaças do presidente Donald Trump de atacar instalações civis, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadim, denunciou a possibilidade de “crimes de guerra”.

Por sua vez, o comando militar iraniano emitiu um comunicado advertindo que “se os ataques contra alvos civis prosseguirem, as próximas fases de nossas operações de ataque e de represália serão muito mais devastadoras e amplas”.

Escalada de tensões no Oriente Médio

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, não demonstra sinais de trégua, com ataques diários e ameaças constantes de todas as partes envolvidas.

“Abram… Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno”, escreveu Donald Trump no domingo em sua plataforma Truth Social, fixando para a noite de terça-feira (21h de Brasília) um novo ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz.

A via marítima é crucial para o transporte de combustíveis e seu fechamento, desde o início da guerra, provocou a disparada do preço do petróleo e a desestabilização da economia mundial.

A força naval da Guarda Revolucionária, no entanto, anunciou nesta segunda-feira que está preparando uma “nova ordem” no Golfo e que as condições no Estreito de Ormuz “nunca voltarão ao status anterior, em particular para os Estados Unidos e Israel”.

Donald Trump considera ter alcançado os objetivos militares no Irã e agora ameaça atacar instalações civis, como pontes e usinas elétricas, caso o Irã não reabra Ormuz.

“Toda a nossa região vai queimar porque insistem em seguir as ordens de (Benjamin) Netanyahu”, o primeiro-ministro israelense, declarou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf.

Impacto econômico e humanitário

As ameaças continuam afetando os mercados: as cotações do barril de Brent e de WTI, as duas principais referências do petróleo, oscilavam nesta segunda-feira em torno dos 110 dólares por barril.

Rússia, Arábia Saudita e outros seis membros do cartel de petróleo Opep+ decidiram aumentar novamente as cotas de produção a partir de maio.

O aumento dos preços da energia tem consequências em todo o mundo, como no Egito, que impôs um toque de recolher comercial às 21h nos dias úteis e às 22h durante os fins de semana.

Danny Citrinowicz, analista de segurança e ex-especialista do serviço de inteligência de Israel, afirmou que a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã, “ao menos nas condições atuais, é quase inexistente”.

Nos países do Golfo, atingidos diariamente pelo Irã, o Kuwait anunciou nesta segunda-feira que foi alvo de ataques com mísseis e drones, que deixaram seis feridos, e os Emirados Árabes Unidos relataram um ferido na queda de destroços de drones interceptados pela defesa antiaérea.

No Líbano, a outra grande frente de batalha do conflito, o grupo pró-iraniano Hezbollah reivindicou novos lançamentos de foguetes contra Israel.

No domingo, o Exército israelense prosseguiu com os bombardeios contra a periferia sul de Beirute, considerada um reduto do Hezbollah. Um ataque perto de um hospital deixou cinco mortos e outra ação, no leste da capital, matou três pessoas.

*Com informações da AFP

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