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Acre

Mesmo quando mais qualificadas, mulheres ganham menos que os homens no Acre, revela relatório

Por AC24horas. 29/04/2026 07:04 Atualizado em 29/04/2026 07:04
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Mesmo com avanços no debate sobre igualdade de gênero, os números mais recentes do Relatório de Transparência Salarial escancaram que homens e mulheres ainda não recebem o mesmo no mercado de trabalho, e o Acre não foge a essa realidade. Dados divulgados na última segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com base na Relação Anual de Informações Sociais de dezembro de 2025, mostram que, nos maiores empregadores do estado, mulheres seguem ganhando menos do que homens, inclusive exercendo funções semelhantes.

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O levantamento considera empresas com 100 ou mais empregados e revela que, no Acre, esse universo reúne 120 estabelecimentos, responsáveis por 39.475 vínculos formais de trabalho. Desse total, 17.582 postos são ocupados por mulheres, o equivalente a 44,54% da força de trabalho analisada. Apesar da presença significativa, a remuneração ainda não acompanha essa participação.

Enquanto a média salarial no estado é de R$ 2.472,66, as mulheres recebem, em média, R$ 2.356,89. Já o salário contratual mediano feminino é de R$ 1.573,02, também abaixo do registrado entre os homens. Na prática, isso se traduz em uma diferença persistente: elas ganham, em média, 91,9% do rendimento masculino, ou seja, cerca de 8,1% a menos. Quando o recorte é feito pelo salário mediano, a proporção sobe para 94,5%, mas ainda evidencia desigualdade.

Fonte: Relatório de Transparência Salarial/reprodução

Os dados também mostram que a disparidade não é uniforme e se intensifica em determinadas camadas do mercado. Nos cargos mais altos, como os de direção e gerência, mulheres recebem apenas 85,3% da remuneração dos homens. Entre profissionais de nível superior, a proporção é de 84,4%. Já nas funções operacionais, a diferença se amplia novamente, com mulheres recebendo 79,7% do rendimento masculino, evidenciando que a desigualdade atravessa toda a estrutura ocupacional.

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O recorte racial reforça um cenário ainda mais desigual. Mulheres negras têm remuneração média de R$ 2.298,54, inferior à de mulheres não negras, que recebem R$ 2.565,32. Entre os homens, a mesma lógica se repete, com trabalhadores não negros apresentando os maiores rendimentos, chegando a R$ 2.821,54. Os números indicam que gênero e raça seguem atuando de forma combinada na definição dos salários.

Embora a diferença no Acre seja menor que a média nacional, onde mulheres recebem cerca de 78,7% da remuneração dos homens, o estado reproduz a mesma estrutura de desigualdade apontada no restante do país. Em escala nacional, o relatório abrange mais de 53 mil estabelecimentos e cerca de 19,3 milhões de vínculos formais, com remuneração média de R$ 4.594,89, reforçando a dimensão do desafio.

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