O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, concentrou parte significativa de sua fala durante coletiva de imprensa, realizada na manhã desta quarta-feira (29) em Rio Branco, em críticas ao cenário político local e à ausência de representantes do governo estadual e da prefeitura na abertura do programa Governo do Brasil na Rua.
Sem citar diretamente nomes, o ministro afirmou que houve convite institucional às autoridades, mas destacou que nem o governo do Acre nem a gestão municipal participaram do evento de lançamento da Feira da Cidadania, montada no Centro da Juventude.
“Cada um faz sua escolha. Tem gente que faz política com ‘P’ maiúsculo, que é para atender o povo. Tem gente que prefere fazer politicagem, política partidária pura e simples. Quem está aqui não está por questão partidária, está porque entende a importância desses programas para a população”, declarou.
Boulos reforçou que a ausência deve ser explicada pelos próprios gestores à população. “O prefeito foi chamado, a governadora foi chamada, institucionalmente, como tem que ser. Se não estão aqui, eles têm que dizer para a população do Acre por que não vieram participar de um evento de entrega de políticas públicas”, afirmou.
Durante a coletiva, o ministro também criticou o que classificou como falta de reconhecimento às ações do governo federal no estado. Segundo ele, há uma tentativa de minimizar ou não dar visibilidade a investimentos realizados pela União.
“As pessoas podem ter diferença, podem ter crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isso é normal na democracia. O que não pode é mentir e não reconhecer. A pior coisa é governante eleito pelo povo fazer caridade com o chapéu alheio”, disse.
Na sequência, Boulos afirmou que obras e programas executados no Acre têm origem federal e acusou gestores locais de se apropriarem politicamente dessas ações. “É o governo do presidente Lula que vai, traz o recurso, traz as coisas. E o que a gente vê muitas vezes é o governador esconder o nome do presidente e tentar puxar para si algo que foi o governo federal que fez”, declarou.
O ministro também associou a ausência de autoridades locais a uma postura de falta de parceria institucional. “Quando os representantes do estado não fazem parceria com o governo federal, estão fechando portas. Quem perde com isso é a população, que deixa de ter mais investimentos e mais ações”, afirmou.
Ao comentar a importância da articulação política em Brasília, Boulos destacou o peso do Acre no Senado e defendeu a necessidade de representantes com capacidade de diálogo. Durante a fala, ele elogiou o pré-candidato ao senado pelo Partido dos Trabalhadores, Jorge Viana, presente no evento.
“O Acre tem o mesmo número de senadores que estados muito maiores, como São Paulo. Mas essa força só se realiza quando se tem representantes com prestígio, que saibam dialogar. Não pode ser alguém que fica só fazendo gritaria em rede social. Tem que ser alguém que abre portas”, disse.
Questionado se a presença de ministros no estado teria relação com o calendário político, Boulos negou e afirmou que a atuação do governo federal no Acre é contínua. “O presidente Lula nunca faltou ao Acre, seja em ano de eleição ou não. O compromisso é com o povo acreano, independente de quem esteja governando”, afirmou.
A coletiva marcou o início da agenda do ministro na capital acreana, que inclui ainda reuniões institucionais, assinatura de protocolos e participação em debates ao longo do dia. A passagem de Boulos por Rio Branco ocorre em meio a um contexto de intensificação das agendas federais no estado e de tensões políticas envolvendo o reconhecimento e a execução de políticas públicas.

