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COTIDIANO

No dia do aniversário, DJ é confundido com ladrão de bicicleta e espancado por entregadores 

Por O Globo. 29/04/2026 09:25 Atualizado em 29/04/2026 09:25
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Veja essa história, que exemplifica bem a quase selvageria dos tempos atuais, especialmente em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde a insegurança cria um círculo vicioso de incitação à violência. No último dia 24, Bruno Vasconcelos Leitão, de 37 anos, DJ e professor de discotecagem, alugou uma bicicleta por aplicativo, dessas que ficam à disposição dos usuários nas esquinas do Rio. Ele estava a poucos metros de uma loja de bolos, no Catete, quando foi violentamente agredido por três homens, todos entregadores de plataformas de delivery.

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Vítima de chutes e socos, principalmente no rosto, Bruno ficou, em poucos minutos, com o nariz fraturado, além de hematomas e diversas escoriações espalhadas pelo corpo. Para “reparar” o nariz, será necessária uma cirurgia, a ser realizada nos próximos dias.

Incrédulo, ele conta que, durante a brutalidade do ataque, tentou explicar que se tratava de um engano. Gritava que havia alugado a bicicleta, mas o trio não acreditou. As agressões continuaram.

“Achei até que fosse um assalto. Disse a um dos agressores que tinha alugado a bicicleta e mostrei o aplicativo. Falei que estava a caminho da loja de bolos porque era meu aniversário”, contou o DJ.

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Segundo Bruno, os agressores explicaram que têm sido comuns, na região do Catete, furtos de bicicletas alugadas por aplicativo. Relataram que criminosos encontram as bikes paradas e saem com elas sem qualquer constrangimento. O que mais assusta o DJ, porém, foi a brutalidade da reação dos entregadores, que, até então, eram as principais vítimas desse tipo de situação:

“Isso me faz pensar na incitação que vemos na internet. Há muitas postagens em grupos de bairro, nesses perfis de redes sociais, que acabam levando pessoas a atitudes violentas e extremas. Eles acharam que eu havia roubado uma bicicleta de aplicativo — que nem era deles —, mas que poderia estar sendo usada para trabalho, e descontaram a revolta em alguém que não tinha qualquer relação com a situação.”

Hoje, dias após o episódio, Bruno ainda sente muitas dores, mas já está com o rosto sem o inchaço que o acompanhou nos últimos dias. O medicamento comprado para amenizar os danos causados, pasme, foi pago por um dos agressores. Todos pediram desculpas pelo ocorrido.

“Eu estava chegando para comprar um bolo. Iria cantar parabéns aqui em casa. No dia seguinte, tocaria em uma festa de aniversário. Isso não aconteceu. E não vou me apresentar nos eventos programados até o fim de semana. Estou mal, com dores de cabeça. Meu rosto está muito machucado. Fico revoltado com essa incitação, com essa gente que quer sair ‘caçando’ pessoas nas ruas”, lamenta.

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