Famosas nas redes sociais, os conteúdos virais conhecidos como “novelas de frutas” podem virar caso de polícia. Os vídeos curtos, de 30 segundos a 1 minuto, são feitos por Inteligência Artificial e mostram cenas de amor, traição e vingança com personagens em forma de frutas.
A trend têm chamado a atenção nas redes sociais e gerado alerta entre autoridades por causa do tipo de material que vem sendo disseminado, especialmente pelo alcance entre o público infantil.
As produções são criadas por meio de ferramentas de IA que transformam comandos de texto em animações. Segundo o especialista em inteligência artificial Israel Pimentel, o processo de criação começa com a elaboração de prompts em plataformas específicas, capazes de gerar vídeos automatizados.
Ele explica ainda que, embora o tempo ideal para viralização desses conteúdos seja de cerca de 35 segundos, a montagem pode levar de uma a duas horas.
O delegado da Polícia Civil do Amazonas (PCAM), Paulo Mavignier, utilizou as redes sociais para chamar a atenção de pais e responsáveis sobre os riscos. “Parece inocente: frutinhas coloridas com nomes engraçados… Mas muitas dessas produções estão sendo sexualizadas”, alertou.
Segundo ele, os vídeos apresentam personagens em situações e poses consideradas inadequadas, o que pode impactar diretamente crianças que consomem esse tipo de conteúdo sem supervisão.
“O que começa como só meme vira conteúdo que erotiza frutas para chamar atenção, o risco é enorme. Crianças pequenas absorvem essa hipersexualização sem filtro. O algoritmo empurra cada vez mais vídeos com esse tom, normaliza desde cedo o uso do corpo de forma sexualizada, mesmo que seja em desenho”, ressalta.
Mavignier também destacou o papel dos algoritmos na amplificação desse tipo de material, que tende a ser recomendado com maior frequência conforme o consumo. O delegado ainda orientou os pais e responsáveis.
“Pais, prestem atenção no que seus filhos estão assistindo, o que parece brincadeira boba pode estar moldando a visão de sexualidade das crianças de forma precoce e distorcida. Não deixem as frutinhas do Brainrot Italiano sexualizar a infância dos nossos filhos. Limitem as telas, conversem com eles, denunciem conteúdos inadequados nas plataformas”, reforçou.

