Carros de luxo, armas e joias. Balanço divulgado pela Polícia Federal sobre a Operação Narco Fluxo — que mirou, entre outros, Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP e Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo — aponta a apreensão de ao menos 55 veículos de luxo e motocicletas, avaliados em mais de R$ 20 milhões, além de 120 armas e munições.

Também foram recolhidos 56 itens de joias e relógios — incluindo modelos da Rolex —, 53 celulares e 56 dispositivos eletrônicos, como computadores, tablets e notebooks, além de R$ 300 mil e US$ 7,3 mil em espécie, e documentos financeiros que devem auxiliar o avanço das investigações. Segundo os investigadores, o material reforça indícios de atuação de uma organização voltada à lavagem de dinheiro no Brasil e no exterior.
Como mostrou o G1, entre os itens de maior destaque estão uma Mercedes-Benz G63 rosa, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão do influenciador Christhyan Elias Barbosa Dias, conhecido como Chrys Dias. Na casa de MC Ryan SP, foi apreendido ainda um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo.
Ryan foi preso temporariamente nesta quarta-feira, 15, apontado como líder e principal beneficiário econômico de um esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em 24 meses. De acordo com a investigação, a estrutura utilizava empresas ligadas ao entretenimento para misturar receitas legais a recursos oriundos de apostas ilegais, tráfico de drogas e rifas digitais, por meio da chamada instrumentalização de pessoas físicas.
Ainda segundo a apuração, o grupo adotava mecanismos de blindagem patrimonial, com transferência de bens para familiares e terceiros, uso de operadores financeiros e posterior reinserção dos valores na economia formal, inclusive por meio da compra de imóveis, veículos e itens de luxo.
Além de Ryan, são citados nas investigações Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo; o influenciador Christhyan Elias Barbosa Dias; e Raphael Sousa, ligado à página Choquei. Chrys é apontado como financiador relevante, enquanto Raphael teria atuado como operador de mídia, recebendo valores diretamente do funkeiro.
Segundo o delegado da Polícia Judiciária Marcelo Maceiras, a escolha de artistas e influenciadores era estratégica, já que a alta circulação financeira e o grande número de seguidores facilitam a movimentação de grandes quantias sem alerta imediatos dos sistemas de controle.
O dinheiro ilícito, conforme a polícia, era disfarçado como pagamento por publicidade, permitindo a aquisição de patrimônio de alto valor e sua exibição nas redes sociais. O grupo também utilizava processadoras de pagamento, contas de passagem e empresas de fachada, além de realizar transferências fracionadas — técnica conhecida como “smurfing” — para dificultar o rastreamento. No exterior, a organização recorria a criptoativos, especialmente a USDT (Tether), para remessas internacionais e ocultação de patrimônio.
Em nota, a defesa de MC Ryan SP afirmou que “até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo”, o que impossibilita uma manifestação específica sobre os fatos. Os advogados sustentam a “absoluta integridade” do artista e a regularidade de suas transações financeiras. Já a defesa de MC Poze do Rodo informou que desconhece o teor do mandado de prisão e que irá se manifestar na Justiça após acesso aos autos. A reportagem tenta contato com os demais citados; o espaço segue aberto.
A Operação Narco Fluxo é desdobramento das operações Narcobet, no fim de 2025, e Narcovela, em abril do mesmo ano. Segundo as autoridades, as investigações tiveram início após a apreensão de drogas em um veleiro, em 2023.