Um avião de pequeno porte, que saiu de La Paz rumo a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, caiu na última segunda-feira (13) e matou duas pessoas a bordo — o piloto Carlos Moyano e o copiloto Julio Sardán.
Além da tragédia, chamaram a atenção das autoridades os 20 círculos, por 2 horas, do Cessna Citation 550, matrícula CP-3243, antes do impacto contra o solo. Também não houve qualquer sinalização de emergência por parte da tripulação.
Na aviação, a principal suspeita para essa soma de comportamentos é de um “voo-fantasma”.
O jato partiu às 8h31 no horário local e perdeu contato com a torre de controle às 8h47. Por volta de 9h, começou a rodar no ar, em movimentos muito parecidos, ao norte da cidade de Cochabamba.
Por volta de 2 horas depois, às 11h, o avião saiu do radar e se acidentou numa área de mata entre Cochabamba e Chimoré.
Voo-fantasma

Se acontece algum problema com o comandante ou copiloto do voo, por falta de pressurização, por exemplo, o piloto automático assume a aeronave, o que permite ao avião voar sozinho conforme o último comando registrado no painel.
O voo em círculos é o “modo de espera” até alguém retomar o controle do avião. Se ninguém o fizer, o combustível acaba, e a aeronave precisa fazer um pouso de emergência ou, na prática, cai.
Mauricio Zamora, ministro de Obras Públicas, Serviços e Habitação, pasta que é responsável na Bolívia pelo órgão que investiga acidentes aéreos, admitiu que a principal hipótese da tragédia é falta de oxigênio para os pilotos.
“Pelos movimentos que fez a aeronave e pela perda de comunicação, temos a teoria de que houve uma despressurização de cabine. Não havia oxigênio e perderam a consciência. Por isso, começou a dar voltas até a queda”, reconheceu.
A DGAC (Direção Geral de Aeronáutica Civil) da Bolívia, equivalente ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB (Força Aérea Brasileira) no Brasil, já iniciou a investigação para determinar as causas do acidente.

