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Putin afirma que Rússia fará tudo ‘ao alcance’ para assegurar a paz no Oriente Médio

Por Redação Juruá em Tempo.27 de abril de 20265 Minutos de Leitura
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O líder russo, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira que a Rússia “fará tudo para assegurar a paz” no Oriente Médio ao receber o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. A reunião com o chanceler iraniano em São Petersburgo ocorre em meio ao impasse nas negociações entre Teerã e Washington, após a expectativa frustrada de um avanço nas tratativas durante o fim de semana — quando o lado americano cancelou o envio de uma delegação ao Paquistão.

— Da nossa parte, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para atender aos seus interesses [do Irã], aos interesses de todos os povos da região, para que a paz seja alcançada o mais rápido possível — disse Putin a Araghchi, segundo comentários veiculados pela mídia estatal russa. — Na semana passada, recebi uma mensagem do líder supremo do Irã. Gostaria de pedir que transmitisse meus mais sinceros agradecimentos por isso e confirmasse que a Rússia, assim como o Irã, pretende continuar nossa relação estratégica.

O representante iraniano chegou à Rússia nesta segunda-feira em busca de apoio às demandas do país sobre o fim da guerra e a manutenção do controle do Estreito de Ormuz e o direito de manter seu programa nuclear ativo. Diante de Putin, Araghchi agradeceu pelo posicionamento favorável ao Irã, que apontou como um trunfo estratégico.

— Provamos ao mundo inteiro que o Irã mantém bons aliados e amigos como a Federação Russa — disse o chanceler, segundo a imprensa russa. — Agradecemos sua posição firme e inabalável em apoio à República Islâmica do Irã.

O encontro entre Putin e Araghchi acontece em meio a uma agenda de viagens oficiais do chanceler iraniano em meio ao cessar-fogo estendido pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A Rússia foi a 3ª parada do chefe da diplomacia de Teerã, que esteve no Paquistão no sábado, de onde seguiu para Omã e retornou a Islamabad pouco depois. Enquanto os paquistaneses atuam como mediadores no diálogo atual entre Teerã e Washington, Mascate liderou uma iniciativa anterior, que colapsou com o início da guerra, em fevereiro.

Putin e Araghchi se cumprimentam durante encontro em São Petersburgo nesta segunda-feira — Foto: Dmitry LOVETSKY/AFP
Putin e Araghchi se cumprimentam durante encontro em São Petersburgo nesta segunda-feira — Foto: Dmitry LOVETSKY/AFP

Em uma primeira declaração ao desembarcar, o representante do regime dos aiatolás culpou os EUA pela falta de progresso diplomático, citando “exigências excessivas” por parte de Washington, e demonstrou confiança no apoio russo.

— A abordagem dos EUA fez com que a rodada anterior de negociações, apesar de alguns progressos, não atingisse seus objetivos — disse o chanceler, citado pela imprensa estatal iraniana. — Estou confiante de que essas consultas e a coordenação entre os dois países a esse respeito serão de particular importância.

O chefe da diplomacia de Teerã também fez comentários sobre o estado atual da organização política do regime, após comentários, incluindo por parte de Trump, de que a liderança estaria rachada. Com Putin, Araghchi garantiu que o regime está “estável e sólido” — embora especialistas na nação persa afirmem que a morte do aiatolá Ali Khamenei no primeiro dia de guerra e sua sucessão pelo filho Mojtaba Khamenei tenha provocado mudanças, incluindo um aumento do poder dos generais nas decisões sobre guerra e paz.

— Ficou claro que a República Islâmica do Irã é um sistema estável, sólido e poderoso — disse o ministro durante o encontro com Putin.

Em comentários a parte, o principal porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a Rússia está pronta para oferecer “boa vontade ou serviços de mediação aceitáveis ​​para ambos os lados” em futuras negociações.

— Estaremos prontos para fazer tudo o que for necessário para garantir que a paz, uma paz garantida, prevaleça definitivamente e que não haja retorno às hostilidades — afirmou Peskov.

Via diplomática

Fontes ouvidas pela imprensa internacional nesta segunda-feira afirmaram que Araghchi entregou no sábado “mensagens escritas” a mediadores paquistaneses, destinadas aos EUA, traçando as “linhas vermelhas” de Teerã para as negociações de paz. O teor integral da proposta iraniana não foi tratada oficialmente por autoridades dos dois países, mas fontes com conhecimento das negociações comentaram traços gerais.

O portal de notícias Axios noticiou no domingo que a proposta incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz e encerraria a guerra, adiando as negociações sobre a questão nuclear para uma etapa futura. A agência de notícias estatal iraniana IRNA mencionou a reportagem do Axios sem negá-la.

Fontes americanas afirmaram que Trump participará de conversas sobre a guerra com o Irã nesta segunda-feira, em uma reunião com seus principais assessores de segurança. O Axios informou que a equipe principal de segurança nacional e política externa do presidente discutiria os próximos passos da crise regional. Um jornalista da publicação escreveu em um comentário no X que seriam discutidos “o atual impasse nas negociações” e “as possíveis opções para as próximas etapas”.

Nesta segunda-feira à noite, em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião sobre segurança marítima.

A expectativa de um avanço significativo durante o fim de semana foi frustrada após Araghchi deixar Islamabad antes da chegada de negociadores americanos. A Casa Branca havia anunciado que tanto Jared Kushner, genro e assessor do presidente Donald Trump, quanto o enviado especial Steve Witkoff estavam a caminho da capital paquistanesa para negociações diretas, algo que o Irã rejeitou antes da viagem. Apenas após o chanceler iraniano deixar o país, porém, é que o republicano cancelou a ida dos representantes.

Ainda no sábado, Trump afirmou que seus negociadores não fariam mais viagens longas ao Oriente Médio para “ficarem sentados conversando sobre nada”. Em um comunicado logo após cancelar a ida dos representantes, o presidente afirmou que os iranianos “podem nos ligar quando quiserem”, e reafirmou que Washington tem “todas as cartas na manga”. (Com AFP)

Por: O Globo.
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