A Polícia Civil do Rio de Janeiro voltou a investigar Márcia Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, durante mais uma fase da Operação Contenção, deflagrada nesta quarta-feira (29). A ação tem como foco o braço financeiro do Comando Vermelho (CV).
Márcia é companheira de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”, apontado como um dos principais líderes históricos da facção, mesmo estando preso no sistema penitenciário federal há anos. Segundo as investigações, ela é suspeita de atuar na movimentação e intermediação de recursos ligados ao tráfico de drogas.
Esta não é a primeira vez que Márcia aparece em apurações. Em março, ela já havia sido alvo da Operação Contenção Red Legacy, que investigava a estrutura nacional do grupo criminoso. Na ocasião, ela e um sobrinho de Marcinho VP não foram localizados durante o cumprimento de mandados judiciais e chegaram a ser considerados foragidos.
De acordo com a Polícia Civil, Márcia teria um papel estratégico fora dos presídios, funcionando como elo de comunicação entre lideranças encarceradas e integrantes que atuam nas ruas.
Esquema investigado
As investigações apontam que familiares de chefes da facção são utilizados para manter o funcionamento da organização, especialmente na circulação de informações e no gerenciamento de recursos.
No caso de Márcia, a suspeita é de que ela atue na intermediação de interesses do CV, incluindo movimentações financeiras e contato com operadores responsáveis por distribuir valores e ocultar patrimônio.
Segundo a polícia, esse tipo de atuação permite que lideranças como Marcinho VP continuem exercendo influência nas decisões da facção, mesmo estando presas.
Decisão judicial
Em abril, a Justiça do Rio concedeu habeas corpus a Márcia, retirando sua condição de foragida. A defesa classificou a decisão como uma correção de excessos na investigação.
Apesar disso, ela voltou a ser alvo na nova fase da Operação Contenção, que busca atingir o núcleo financeiro da organização criminosa.
Nova fase da operação
Nesta quarta-feira, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados no Rio de Janeiro.
A apuração indica a existência de um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de contas de terceiros, fracionamento de valores e reinserção de recursos ilícitos no mercado formal. Um dos alvos de prisão é Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista.

