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Relatório da Abin coloca Acre como rota estratégica do contrabando de migrantes

Por Redação Juruá em Tempo.29 de abril de 20263 Minutos de Leitura
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O Acre integra o grupo de estados brasileiros utilizados em rotas estruturadas de migração irregular, segundo relatório da Abin, elaborado em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM). O documento aponta o Brasil como “ponto estratégico” no contrabando de migrantes, destacando o papel do território acreano como corredor logístico na fronteira com países vizinhos.

De acordo com o levantamento, o Acre é utilizado tanto para a entrada de estrangeiros no Brasil quanto para a saída de migrantes rumo a outros países. A posição geográfica, com conexão terrestre com Peru e Bolívia, coloca o estado como elo entre rotas internacionais e fluxos que seguem para outras regiões brasileiras, principalmente Sul e Sudeste.

Corredor de passagem na região Norte

O relatório classifica o Acre entre os estados que exercem a função predominante de trânsito migratório. Nesses casos, os migrantes permanecem por períodos curtos, utilizando o território apenas como passagem. A dinâmica inclui principalmente:

  • Venezuelanos que entram pelo Norte do país e seguem viagem em busca de trabalho;
  • Estrangeiros que atravessam o Brasil para alcançar outros destinos internacionais;
  • Migrantes que utilizam rotas terrestres alternativas para evitar fiscalização.

Além do Acre, estados como Amapá, Amazonas, Pará e Roraima também desempenham esse papel de corredor logístico.

Redes Criminosas estruturadas

A investigação identifica que o contrabando de migrantes no Brasil é operado por redes organizadas, que podem envolver diferentes funções, como recrutadores, transportadores, falsificadores de documentos e intermediários financeiros. Em alguns casos, uma única pessoa assume múltiplos papéis.

Esses grupos atuam com:

  • Promessas de emprego e melhores condições de vida;
  • Cobrança por serviços que deveriam ser gratuitos;
  • Uso de rotas clandestinas e estradas vicinais;
  • Controle da mobilidade e dependência financeira dos migrantes.

As redes também utilizam aplicativos de mensagens e redes sociais para ampliar o alcance, facilitando o recrutamento e a comunicação com migrantes.

Migração irregular não é crime

O relatório destaca que migrar de forma irregular não é crime no Brasil. A responsabilização recai sobre quem organiza, financia ou lucra com a travessia clandestina. As atividades dessas redes frequentemente estão associadas a outros delitos, como:

  • Falsificação de documentos;
  • Corrupção;
  • Lavagem de dinheiro.

Riscos aos migrantes

O documento aponta que pessoas que utilizam rotas irregulares enfrentam uma série de riscos, incluindo:

  • Exposição a condições climáticas extremas;
  • Falta de assistência médica;
  • Violência e exploração;
  • Endividamento com contrabandistas.

A vulnerabilidade pode levar a situações mais graves, como tráfico de pessoas e recrutamento forçado por organizações criminosas.

Brasil como eixo estratégico

O diagnóstico da Abin indica que o Brasil possui pelo menos 14 estados com rotas mapeadas de migração irregular. A extensão territorial, com mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e fluviais, aliada à política migratória considerada acolhedora, contribui para a inserção do país nas dinâmicas internacionais do contrabando de migrantes.

No caso do Acre, o estudo reforça que sua localização geográfica mantém o estado como peça-chave nessas rotas, funcionando como ponto de conexão entre fronteiras internacionais e destinos internos e externos.

Por: A Gazeta do Acre.
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