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Brasil

‘Subir custo das empresas é inviável’ e fim da escala 6×1 exige discussão, diz Luiza Trajano

Por Isto É. 28/04/2026 09:33 Atualizado em 28/04/2026 09:33
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À frente do Magazine Luiza por mais de 30 anos, Luiza Trajano, atualmente presidente do Conselho de Administração do grupo, vê que o debate sobre o fim da escala 6×1 ainda “Exige uma discussão muito grande”, afirmou em entrevista exclusiva ao programa IstoÉ Mulher + Fructus Entrevista.

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De acordo com o ranking do Instituto Retail Think Tank Brasil (IRTT) de 2025, a Magazine Luiza a maior varejista de departamento do país e a terceira maior varejista no geral, com faturamento de R$ 47,277 bilhões em 2024. É a sétima maior em número de funcionários, cerca de 37 mil, número confirmado pela empresa. É 18ª em número de lojas, com 1.245 espalhadas pelo país.

Luiza Trajano diz que subir custos das empresas “é inviável”, assim como diminuir salários “não é bom”, mas pondera que o trabalhador também precisa de dias de descanso. “Teria que sentar na mesa e ver o que é para os dois lados”.

https://youtu.be/3G7lWRd_MB8?si=MqN36QoMn5sU8nWM

A executiva destaca ainda a questão específica das trabalhadoras nessa discussão, umas vez que as mulheres enfretam dupla jornada.

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“Acho que o momento talvez não seja esse, exige uma discussão muito grande, mas a gente tem que pensar no lado daquele operário mesmo, que fica? Como faz isso aumentando a produtividade, pois a produtividade é importantíssima pra competição mundial. Então é uma equação que precisava ser bem discutida”.

Segundo um estudo da consultoria 4Intelligente, No Brasil, a produtividade do trabalho está estagnada há mais de uma década devido ao baixo investimento e à complexidade tributária e reduzir a jornada para 40 horas exigiria um aumento imediato de 1,4% na produtividade para não prejudicar o crescimento do PIB.

Discussão sobre fim da escala 6×1

fim da escala 6×1 está no centro do debate não só no ambiente produtivo como político. O projeto, que prevê o redução da jornada semanal sem redução de salário, e dois dias de descanso na semana, tem sido a bandeira do governo atual desde que foi aprovada a reforma do imposto de renda que isentou o pagamento do imposto para rendas de até R$ 5 mil na média por mês.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei (PL) que prevê o fim com a escala de seis dias trabalhados para um de descanso (6×1), e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais.

Segundo o texto, os repousos semanais remunerados “deverão coincidir, preferencialmente, com o sábado e o domingo, ressalvadas quanto à escolha dos dias as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho”. A medida vale tanto para contratos em vigor como contratos futuros. A proibição da redução salarial se aplica a todos os regimes, incluindo trabalho em regime integral, parcial e regimes especiais.

Além do PL enviado por Lula, outras duas PECs (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6×1 estão em tramitação no Congresso. As duas propostas estão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Uma é da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a PEC 8/2025, e outra, a PEC 221/2019,  do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ambas defendem jornadas de trabalho de 36 horas semanais, mas a de Erika Hilton aponta um período de adaptação para o mercado de um ano, e a de Lopes um período de transição de 10 anos.

As associações representativas dos setores produtivos, em geral, destacam os impactos negativos do fim da escala 6×1, apontando aumento de custos, que serão repassados ao consumidor, redução de lucro e inflação. A CNC (Confederação Nacional do Comércio) calcula cerca de 31,5 milhões de brasileiros diretamente impactados pela mudança, a maioria nos setores de serviços e comércio. Nesses segmentos econômicos, o percentual de empregados com contratos superiores a 40 horas semanais chega a 90%.

Segundo o governo, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1 atualmente — incluindo 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Além disso, 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que indica jornadas frequentemente mais longas na prática.

O argumento a favor do fim da jornada de 44 horas é que, ao ampliar o tempo livre, o projeto busca melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Segundo a Previdência, em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz da proposta também uma medida de redução de desigualdades no mercado de trabalho.

No final de fevereiro, a Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrando que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas teria potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

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