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Trump ameaça sair da Otan e diz que americanos não precisam do Estreito de Ormuz

Em um pronunciamento em horário nobre nesta quarta-feira (1º de abril de 2026), o presidente Donald Trump apresentou um balanço dos 32 dias da “Operação Epic Fury”. Falando diretamente da Casa Branca, o republicano afirmou que a capacidade de ataque do Irã foi “drasticamente reduzida” e que a Marinha e a Força Aérea do país persa estariam em ruínas. No entanto, o discurso foi marcado por contradições e uma postura isolacionista que abalou aliados europeus.

Resumo

Trump utilizou parte de seu tempo para pedir “paciência” ao eleitorado americano, citando a duração de conflitos históricos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial para justificar a continuidade das operações. “O Irã essencialmente deixou de ser uma ameaça”, declarou, apesar de uma pesquisa AP-NORC indicar que 60% dos adultos americanos acreditam que o presidente foi longe demais.

Escalada militar e crise na Otan

Enquanto o presidente evitava mencionar o envio de tropas terrestres no discurso, fontes do Pentágono confirmaram o deslocamento do porta-aviões USS George H.W. Bush e de milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada para a região. No campo diplomático, o clima é de ruptura: Trump afirmou considerar seriamente a retirada dos EUA da Otan, criticando a recusa dos membros europeus em ajudar na segurança do Estreito de Ormuz.

“Nós não precisamos daquele estreito”, disparou Trump, referindo-se à via por onde passa 20% do petróleo mundial e que atualmente está bloqueada pelo Irã. Segundo ele, os países que dependem do recurso é que devem “conquistá-lo e valorizá-lo”.

Impacto no bolso e dados contestados

A retórica de vitória colide com a realidade econômica e militar. Pela primeira vez desde 2022, o preço da gasolina nos EUA ultrapassou os US$ 4 por galão, reflexo direto do bloqueio naval. Especialistas alertam que o custo do combustível começará a inflacionar alimentos e produtos básicos devido ao aumento nos custos de logística.

Além disso, observadores independentes, como o grupo ACLED, contestam a afirmação de que os militares iranianos foram “dizimados”. Embora o número de ataques tenha caído de 100 por dia no início de março para cerca de 50, analistas sugerem que Teerã pode estar apenas racionando mísseis e drones para uma guerra de resistência prolongada, em vez de ter perdido seu poder de fogo.

Vigilância nuclear e objetivos de guerra

Trump reiterou que os locais nucleares do Irã estão sob “intensa vigilância de satélite” e ameaçou novos ataques com mísseis caso qualquer movimentação seja detectada. Ele voltou a criticar o acordo nuclear da era Obama, chamando-o de “um arsenal colossal para o Irã”.

Sobre a motivação do conflito, o presidente mudou o tom: afirmou que os EUA não buscam recursos naturais, mas estão lá apenas para “ajudar aliados”, como Israel. Contudo, em um vídeo vazado de um almoço de Páscoa, Trump lamentou a falta de paciência do povo americano, dizendo que preferiria “pegar o petróleo do Irã”, mas que se contentaria em apenas “vencer e voltar para casa”.

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