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A decisão de Alexandre de Moraes que atrapalha a gestão da crise de Flávio Bolsonaro-Vorcaro

Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, criou um obstáculo que vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.

Desde 29 de janeiro deste ano, por decisão de Moraes, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com Bolsonaro. A alegação do ministro é de que ele segue sendo investigado no âmbito do caso da trama golpista, o mesmo que levou à condenação do ex-chefe do Executivo a 27 anos e três meses de prisão.

Entre dirigentes do PL, em especial os que preferiam abandonar a candidatura de Flávio Bolsonaro em favor de Michelle, a decisão de Alexandre inviabiliza uma conversa de Jair com Valdemar, que na cúpula do partido é visto como a única pessoa capaz de convencer o ex-presidente a trocar de candidato à Presidência.

Segundo aliados, o presidente do PL também prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro. Valdemar sempre repete que foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais o partido tem direito.

Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair.

Mesmo considerando que seria muito difícil ou até impossível o ex-presidente desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.

Bolsonaro, que vive com a ex-primeira-dama Michelle, pode receber visitas de seus advogados, filhos e de sua equipe médica – mas não dos dirigentes do PL nem das principais lideranças partidárias no Congresso.

Para integrantes da legenda ouvidos reservadamente pelo blog, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita.

O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais.

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostrou que Lula passou a superar numericamente Flávio nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, da semana passada, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.

Moraes considerou pedido ‘incabível’

Duas semanas antes de Moraes barrar a visita de Valdemar, Bolsonaro havia sido transferido em 15 de janeiro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, por estar localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

À época, ao analisar uma petição dos advogados de Valdemar, Moraes concluiu ser “incabível o pedido de visitação” formulado pelo dirigente partidário pelo fato de Valdemar “ser investigado no âmbito das mesmas imputações realizadas ao custodiado”, no âmbito da trama golpista.

Diante do agravamento do quadro de saúde de Bolsonaro, Moraes transferiu o ex-presidente para a prisão domiciliar em março deste ano, mas as restrições de visitas foram mantidas.

Investigação reaberta

A situação de Valdemar no caso da trama golpista passou por uma série de reviravoltas que ajudam a explicar a deterioração de sua relação com Alexandre de Moraes.

Em novembro de 2024, a Polícia Federal indiciou o presidente do PL no bojo das investigações que levaram Bolsonaro à cadeia, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou decidindo não denunciá-lo depois, o que foi recebido com alívio no entorno bolsonarista.

Em outubro do ano passado, no entanto, houve uma nova reviravolta. Um mês depois de Bolsonaro ser condenado, os ministros da Primeira Turma do STF decidiram reabrir uma investigação contra Valdemar por organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito por conta da contratação do Instituto Voto Legal (IVL).

O IVL, presidido pelo engenheiro Carlos Rocha, deu amparo legal à ofensiva do PL para contestar as urnas eletrônicas e tentar anular o resultado do segundo turno das últimas eleições presidenciais. Rocha também foi condenado pela Primeira Turma do STF a 7 anos e seis meses de prisão.

Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF em 2021, ao articular a derrocada do voto impresso, trocando os membros do PL de uma comissão que analisou o tema.

À época, Moraes chamou Valdemar de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A parceria, pelo visto, não existe mais.

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