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Acre aparece em análise sobre limite de bilheteria para cinebiografia de Bolsonaro

O Acre voltou ao centro de uma análise nacional sobre os desafios comerciais enfrentados pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O estado, que foi o terceiro ente federativo onde Bolsonaro teve melhor desempenho proporcional no segundo turno das eleições de 2022, aparece como exemplo das limitações estruturais que podem dificultar o sucesso da produção nas bilheterias.

De acordo com reportagem da BBC News Brasil reproduzida pela Folha de S.Paulo, o Acre possui atualmente apenas duas salas de cinema em funcionamento, número considerado reduzido para um estado com forte base eleitoral bolsonarista.

A comparação inclui outros redutos do ex-presidente. Roraima, estado onde Bolsonaro teve o melhor desempenho proporcional no segundo turno de 2022, conta com três cinemas em operação. Já Rondônia, segundo estado mais bolsonarista naquele pleito, possui nove complexos de exibição. O Acre surge logo em seguida, com estrutura ainda mais limitada, reforçando as dificuldades de distribuição do longa na Região Norte.

Segundo a análise, para recuperar apenas os R$ 134 milhões que o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro para custear a obra, o filme precisaria arrecadar pelo menos R$ 300 milhões nas bilheterias brasileiras.

O montante representa cerca de 40% a mais do que todos os filmes brasileiros lançados em 2025 arrecadaram juntos, estimados em aproximadamente R$ 215 milhões, e supera em mais que o dobro a bilheteria de “Minha Mãe é uma Peça 3”, maior sucesso nacional da história, que faturou R$ 143,8 milhões.

Especialistas do mercado ouvidos pela reportagem calculam que, para atingir esse valor, “Dark Horse” teria de atrair cerca de 15,1 milhões de espectadores, um feito alcançado por apenas cinco produções na história do cinema no Brasil.

A projeção considera o preço médio do ingresso para filmes nacionais, atualmente em R$ 19,88, conforme dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual.

Além disso, o Brasil possui cerca de 890 cinemas e 3.553 salas de exibição, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Apenas 419 dos 5.570 municípios brasileiros possuem ao menos uma sala de cinema, o que restringe o alcance de grandes estreias em boa parte do país.

Outro entrave é a ausência de previsão oficial de estreia. Até o momento, “Dark Horse” não possui registro público na Agência Nacional do Cinema (Ancine) nem classificação indicativa liberada pelo Ministério da Justiça.

Embora o lançamento via streaming seja uma alternativa, profissionais do setor avaliam que a receita gerada por plataformas digitais dificilmente compensaria um investimento dessa magnitude.

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