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Capivaras circulam tranquilamente na Fundação Hospitalar, em Rio Branco

Um grupo de capivaras foi flagrado caminhando nas dependências da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo, em Rio Branco, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (28). O hospital é referência em cirurgias complexas no Acre e fica próximo a uma área de mata e ao lago que interliga o Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (UFAC) à região da unidade de saúde.

Vídeos registrados no local mostram uma fêmea adulta acompanhada de quatro filhotes andando tranquilamente pelo entorno do hospital. Minutos depois, outro grupo formado por seis capivaras adultas e cinco filhotes percorre o mesmo caminho, reforçando a presença frequente dos animais na região.

Apesar de as capivaras não transmitirem doenças diretamente pelo simples contato com humanos, especialistas alertam que esses animais podem atuar como reservatórios importantes de agentes infecciosos e hospedeiros de vetores capazes de disseminar zoonoses.

Entre as principais preocupações está a febre maculosa, doença transmitida pelo carrapato-estrela infectado pela bactéria Rickettsia. As capivaras são consideradas hospedeiras importantes do carrapato e ajudam na manutenção do ciclo do vetor. Outro risco é a leptospirose, já que os animais podem eliminar a bactéria Leptospira na urina, contaminando água e lama. Também há registros científicos apontando a possibilidade de capivaras atuarem como reservatórios de leishmaniose, toxoplasmose e, embora raramente, raiva.

Estudo encontrou Salmonella em capivaras de Rio Branco

A preocupação com a presença desses animais em áreas urbanas ganhou ainda mais relevância após um estudo acadêmico desenvolvido na capital em 2016 apontar a presença de bactérias do gênero Salmonella em capivaras de vida livre na capital acreana.

A pesquisa, conduzida pelo pesquisador Itacir Olivio Farikoski no Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal da Amazônia Ocidental, analisou 54 capivaras capturadas em áreas urbanas e rurais de Rio Branco.

Segundo o trabalho, 13 dos 54 animais examinados apresentaram resultado positivo para Salmonella spp., o equivalente a 24,07% das amostras analisadas. O estudo destacou que todos os animais positivos eram assintomáticos, ou seja, não apresentavam sinais aparentes de doença, o que aumenta o potencial de disseminação silenciosa do agente infeccioso.

Os pesquisadores observaram ainda que as capivaras têm importante papel epidemiológico devido ao convívio próximo com humanos, animais domésticos e ambientes urbanos. O estudo ressalta que o avanço do desmatamento, a criação de lagos artificiais e a expansão urbana favorecem o crescimento populacional da espécie em áreas habitadas.

A dissertação também aponta que as capivaras possuem hábitos semiaquáticos, o que amplia o risco de contaminação hídrica por agentes causadores de zoonoses.

“Capivaras de vida livre de zona urbana e rural são portadoras assintomáticas de Salmonella spp., podendo albergar e disseminar esta bactéria sem apresentar qualquer sinal clínico”, concluio o estudo.

Veja o vídeo:

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