Close Menu
  • Inicio
  • Últimas Notícias
  • Acre
  • Polícia
  • Política
  • Esporte
  • Cotidiano
  • Geral
  • Brasil
Facebook X (Twitter) Instagram WhatsApp
Últimas
  • “Há uma necessidade urgente de recomposição dos quadros da Secretaria de Estado de Fazenda”, defende Edvaldo Magalhães
  • Forças de Segurança apreendem fuzis e prendem quatro homens em Mâncio Lima
  • Governo abre chamamento público para organização do rodeio da Expoacre Juruá 2026
  • Motorista supostamente embriagado provoca grave acidente e motociclista fica ferido; veja vídeo
  • WhatsApp prepara recurso para mostrar quem está online no app
  • iOS 27 deve ganhar central exclusiva para controlar AirPods
  • PSDB-Cidadania anuncia convite para que Aécio Neves concorra à Presidência
  • Lei do Superendividamento é confundida com perdão e juízes ficam mais rigorosos
  • Turistas brasileiros gastam R$ 1,8 bilhão em três meses e já bateram recorde em Portugal
  • Israel afirma ter matado o novo chefe do braço armado do Hamas em Gaza
Facebook X (Twitter) Instagram
O Juruá Em TempoO Juruá Em Tempo
quarta-feira, maio 27
  • Inicio
  • Últimas Notícias
  • Acre
  • Polícia
  • Política
  • Esporte
  • Cotidiano
  • Geral
  • Brasil
O Juruá Em TempoO Juruá Em Tempo
Home»internacionais

Deportados e abandonados: EUA enviam milhares de cubanos ao México sem garantias legais

Por Redação Juruá em Tempo.27 de maio de 20268 Minutos de Leitura
Compartilhar
Facebook Twitter WhatsApp LinkedIn Email

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deportou milhares de cubanos e de cidadãos de outros países para o México no último ano sem as devidas garantias legais e sem acesso a abrigo, comida ou assistência médica. Segundo um relatório da Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta quarta-feira, a maioria dos deportados é formada por idosos, muitos com problemas de saúde crônicos que exigem tratamento contínuo.

Entre 20 de janeiro de 2025 e 9 de março de 2026, o levantamento “‘Casting Us Aside to Die:’ Cuban and Other Third-Country Nationals Deported from the US to Mexico” aponta que autoridades americanas deportaram 18.453 cidadãos de outros países, dos quais 12.977 — cerca de 70% — foram enviados ao México, sob um acordo não divulgado publicamente entre os dois governos. Desse número, os cubanos representam o maior grupo, com 4.353 deportados para o país.

Migrantes formam uma caravana em Tapachula, no estado de Chiapas, México, em 20 de janeiro de 2025 — Foto: Isaac Guzman / AFP
Migrantes formam uma caravana em Tapachula, no estado de Chiapas, México, em 20 de janeiro de 2025 — Foto: Isaac Guzman / AFP

Em entrevista ao GLOBO, uma das autoras do relatório, Alcira Hava, afirma que não há transparência sobre esse mecanismo.

— O governo dos EUA não publica nenhuma informação sobre esse acordo com o México. Inclusive, o próprio governo mexicano já negou oficialmente que exista qualquer acordo desse tipo.

Segundo ela, as deportações parecem dar continuidade a políticas anteriores, como o programa Parole, da era Biden, que permitia a migrantes aguardarem no México o andamento de seus processos migratórios nos EUA. Mas, no cenário atual, elas ocorrem sem clareza sobre regras ou garantias.

Durante anos, os cubanos não foram o principal alvo da política de deportação americana, em parte porque Cuba se recusava a aceitá-los de volta. Após deixarem seu país devido à repressão governamental ou dificuldades econômicas, muitos cubanos viveram por anos ou décadas nos EUA, sobretudo na Flórida, onde construíram famílias, carreiras e redes de apoio — muitas vezes com parceiros americanos e filhos.

Segundo Hava, havia entre os cubanos a percepção de que tinham um status quase “imune” a esse tipo de medida.

— Historicamente, os cubanos não eram deportados em grande número, então existia essa sensação de proteção. O que chama atenção é que isso muda justamente num momento em que a comunidade cubana nunca teve tanto peso político nos EUA — diz, citando a presença de lideranças de origem cubana no Congresso, como o secretário de Estado Marco Rubio, e o atual contexto de tensões entre Washington e Havana.

Esse cenário mudou no segundo mandato de Trump, que colocou a deportação em massa no centro da sua agenda. Além do aumento no volume, a pesquisadora destaca uma mudança no perfil dos deportados:

— No México, houve um aumento de mais de 40% por mês nessas deportações em comparação com os 27 meses anteriores, já no início do segundo governo Trump. Mas o que também chama a atenção é a mudança no perfil: antes, eram principalmente pessoas que tinham acabado de cruzar a fronteira. Agora, são pessoas que viveram 20, 30, até 40 anos nos EUA.

De acordo com o levantamento, os deportados são enviados ao México sem documentação, dinheiro ou pertences pessoais e não têm a oportunidade de contestar a decisão ou apresentar pedidos de proteção antes da remoção — o que configura violação do devido processo legal.

— Antes de enviá-las para o México, o governo americano não ofereceu uma audiência nem uma oportunidade real para que essas pessoas pudessem expressar o medo de serem deportadas para lá, seja por risco de perseguição ou de tortura — afirma Hava.

Ao chegar ao México, muitos cubanos acabam presos em um limbo jurídico. Isto porque muitos deles não tem recursos para obter residência permanente no país, ao mesmo tempo em que também não são aceitos de volta pelo seu país de origem.

— Muitos desses cubanos podem ser considerados, na prática, apátridas porque Cuba se recusa a aceitá-los de volta e, em muitos casos, autoridades cubanas no México também não oferecem serviços consulares. Por outro lado, no México, a única via oferecida para regularizar a situação dessas pessoas é o pedido de asilo, mas muitos não se qualificam para isso e o processo é cheio de obstáculos — diz a autora.

Além das dificuldades legais, o contato com familiares se torna um desafio imediato.

— As pessoas chegam ao México sem nada, o que torna muito difícil qualquer comunicação. Em alguns casos, conseguem retomar contato depois de dias ou semanas, quando recebem dinheiro de familiares para comprar um celular, mas isso não acontece sempre — afirma a pesquisadora da HRW. — Eles não podem sair do México, e parentes nos EUA têm medo de viajar e não conseguir voltar. Em muitos casos, essa separação pode durar muito tempo.

A Human Rights Watch entrevistou 53 cidadãos de países terceiros (pessoas que não são cidadãos dos EUA e nem do México) que foram deportados para as cidades de Tapachula, no estado de Chiapas, e Villahermosa, em Tabasco, incluindo 41 cubanos. Os nomes usados no relatório são fictícios, visando a proteção de todos os entrevistados. Segundo os relatos, quase todos ouviram a mesma explicação das autoridades americanas quando perguntaram por que seriam enviados para o México: “Cuba não aceita você”.

Antes de serem liberados, os migrantes recebem autorização limitada para permanecer no país — por cerca de 10 dias, na maioria dos casos — e são orientados a buscar refúgio junto à Comisión Mexicana de Ayuda a Refugiados (COMAR). Na prática, porém, o acesso ao sistema de asilo é limitado por entraves burocráticos e falta de recursos, como ausência de telefone ou e-mail e atrasos nas marcações.

Milhares de cubanos e de cidadãos de outros países estão sendo deportados dos EUA para o México — Foto: HRW
Milhares de cubanos e de cidadãos de outros países estão sendo deportados dos EUA para o México — Foto: HRW

Além disso, a legislação mexicana obriga os solicitantes de asilo a permanecerem no estado onde iniciam o pedido, o que impede deslocamentos e os mantém em regiões com altos índices de violência. Tapachula é conhecida como um centro onde os migrantes são rotineiramente alvo de redes de contrabando, extorsão e tráfico humano. Villahermosa também é marcada pela violência ligada a disputas entre cartéis rivais.

— Tapachula, por exemplo, fica em um dos estados mais pobres do México, com poucas oportunidades econômicas e de trabalho. E essa situação é ainda mais difícil para pessoas mais velhas, ou com deficiência ou condições de saúde crônicas — explica Hava.

Segundo ela, a escolha dos destinos não é aleatória.

— Há uma intenção de enviar essas pessoas para o sul do México, o mais longe possível da fronteira com os EUA, o que dificulta qualquer tentativa de retorno — afirma.

Sem apoio governamental, muitos ficam sem acesso a abrigo, alimentação ou tratamento médico e acabam vivendo nas ruas, expostos à violência.

— Estão nos deixando de lado para morrer. Não há ajuda; não podemos trabalhar porque não temos documentos. Eles não nos dão nada… Como vamos comer, pagar aluguel? — relatou Harold, cubano de 58 anos deportado para o México em fevereiro de 2026.

Milhares de cubanos e de cidadãos de outros países estão sendo deportados dos EUA para o México — Foto: HRW
Milhares de cubanos e de cidadãos de outros países estão sendo deportados dos EUA para o México — Foto: HRW

Além dos cubanos, o relatório também ouviu 12 migrantes da Venezuela, Haiti, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Jamaica, muitos dos quais relataram experiências traumáticas ao serem retirados abruptamente de suas vidas nos EUA e enviados a um país onde não têm vínculos ou perspectiva, e, em alguns casos, depois de terem expressado medo de serem deportados para lá.

Em alguns casos, especialmente entre os guatemaltecos, salvadorenhos e hondurenhos, há ainda deportações em cadeia: os EUA enviam os migrantes ao México, que posteriormente os deporta para seus países de origem através da sua fronteira sul.

De décadas nos EUA ao limbo no México

Entre os cubanos entrevistados, a maioria vivia há décadas nos EUA e quase todos, exceto um, tinha residência permanente. Destes, 35 perderam seus green cards após condenações, em geral por crimes não violentos, como conduzir sob efeito de álcool ou falsificação de documentos. Muitos cumpriram suas penas nos EUA e passaram anos sob supervisão das autoridades migratórias, com ordens de remoção pendentes contra eles, acreditando que não seriam mais deportados.

Em 2025, com a mudança de política, passaram a ser detidos — em check-ins do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em casa ou no trabalho — e enviados a centros de detenção, onde relataram condições precárias, como superlotação, falta de assistência médica, quantidade inadequada de alimentos e episódios de violência.

Entre eles, 22 tinham problemas de saúde crônicos que exigiam tratamento ao qual não tinham acesso no México. Destes, dois terços tinham 60 anos ou mais. Há relatos de idosos deixados em cidades mexicanas desconhecidas no meio da noite, sem medicação, abrigo ou qualquer tipo de apoio.

— Se você tem 60, 70 anos, por que seria enviado para cá? — questionou Mario, um cubano de 60 anos ouvido pela HRW. — Estão nos enviando aqui para morrer.

O relatório recomenda que os EUA garantam procedimentos justos antes de qualquer deportação e considerem fatores como idade e vínculos familiares. Também defende que o México ofereça acesso a serviços básicos e crie alternativas para regularização migratória.

— O mínimo é garantir condições dignas de detenção e dar a essas pessoas a oportunidade real de expressar medo de deportação. E, no México, é fundamental criar um caminho legal viável que não dependa apenas do asilo — destaca Hava.

Por: O Globo.
Facebook X (Twitter) Pinterest Vimeo WhatsApp TikTok Instagram

Sobre

  • Diretora: Midiã de Sá Martins
  • Editor Chefe: Uilian Richard Silva Oliveira

Contato

  • [email protected]

Categorias

  • Polícia
© 2026 Jurua em Tempo. Designed by TupaHost.
Facebook X (Twitter) Pinterest Vimeo WhatsApp TikTok Instagram

Digite acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione Esc cancelar.