Foram quase 80 minutos de “inhaca” até que a porteira se abrisse no Maracanã e o Flamengo transformasse a iminente melancolia de um empate sem gols com o Cusco em uma elástica vitória por 3 a 0. Bruno Henrique marcou duas vezes e Lucas Paquetá fechou a conta de um atropelo na reta final. O resultado deixa o rubro-negro muito próximo de conseguir a liderança geral da fase de grupos da Libertadores, o que dá a vantagem de decidir os confrontos em casa das oitavas até as semifinais.
Para o Fla garantir a liderança geral, o Rosario Central e o Independiente Rivadavia, que também têm 13 pontos, não podem vencer Independiente del Valle e Bolívar por quatro e cinco gols, respectivamente, ambos fora de casa.
A liderança do Grupo A já estava garantida, e o técnico Leonardo Jardim aproveitou para observar nomes como Vitão, Saúl, Erick Pulgar, que voltou de lesão, e o goleiro Andrew, atuando pela primeira vez sob o comando do português.
Os gols rubro-negros demoraram a sair em um jogo em que o time teve total domínio e empilhou chances, mesmo com uma equipe basicamente reserva. De la Cruz, Evertton Araújo, Pedro e Emerson Royal foram apenas alguns dos que tiveram grandes chances, mas a defesa se recusava a deixar a bola entrar.
Somente aos 34 minutos do segundo tempo, uma jogada de bate-rebate após escanteio sobrou para Bruno Henrique empurrar para as redes na pequena área. O camisa 27 ainda marcou outra vez, seu quarto gol na Libertadores. De pênalti, Paquetá deu números finais ao placar antes de ir à Copa do Mundo.
A naturalidade com que os gols saíram no fim contrastou com as dificuldades que resultaram em chiados da arquibancada no intervalo e com a insatisfação antes do apito inicial. O Maracanã não abriu dois setores e teve apenas 34.796 presentes, o menor público do Flamengo no estádio em um jogo de Libertadores desde a volta da pandemia de Covid-19: um reflexo do incômodo da torcida com os resultados recentes, em especial a derrota para o Palmeiras no fim de semana.
Desde o pré-jogo, ouviu-se os gritos de “time sem vergonha”, com os principais xingamentos sendo direcionados a Carrascal, expulso contra o alviverde e que ontem ficou no banco e não jogou.
A régua de análise é mais baixa diante de um frágil adversário, mas, no fim, todos saem satisfeitos pela vitória que deixa o time na liderança geral da tabela, com 16 pontos — marca alcançada nas Libertadores de 2007 e 2022. No sábado, o rubro-negro recebe o Coritiba, pelo Brasileirão, em seu último jogo antes da parada para a Copa.

