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Política

Master: Diálogos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro são prenúncio da carnificina eleitoral

Por Malu Gaspar, dO Globo. 14/05/2026 12:35 Atualizado em 14/05/2026 12:36
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A revelação de que Daniel Vorcaro negociou com Flávio Bolsonaro (PL) pagamentos de R$ 61 milhões para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro usando uma empresa laranja deixou toda a direita desnorteada. Na semana passada, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP), recebeu a Polícia Federal em casa em virtude da apuração que liga sua “emenda Master” a contrapartidas generosas e milionárias.

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Os dois episódios machucam a candidatura bolsonarista, reforçam o rótulo “BolsoMaster” que o PT bolou para martelar durante a campanha e dão um respiro aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingidos pelo escândalo. Mas não garantem que Lula terá sossego daqui para frente.

Um experiente observador de Brasília com quem conversei outro dia definiu bem a situação ao dizer que Vorcaro comprou todo mundo que estava à venda. Tinha “irmãos” e “amigos de vida” em todo o espectro ideológico e em todos os níveis hierárquicos que importam nos três Poderes. A investigação entrou no mundo político pela direita e pelo Centrão, mas há denúncias para todos os gostos, e tudo o que puder ser explorado politicamente será.

A dúvida do momento é sobre quanto os brasileiros se guiarão por essas revelações para decidir o voto. A Genial/Quaest divulgada ontem traz dois dados interessantes. O primeiro mostra que 54% não tomaram conhecimento das investigações sobre Ciro Nogueira. O segundo, que desde março subiu de 40% para 46% a quantidade de brasileiros para quem o escândalo do Banco Master afeta a todos — de Lula a Bolsonaro, passando pelo Congresso, pelo Supremo e pelo Banco Central.

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Agora, porém, é o próprio candidato a presidente o afetado por uma denúncia. E, pelo menos por enquanto, sabe-se que, enquanto Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto numa reunião com testemunhas para uma discussão em que, pelos relatos, não se comprometeu com nada, Flávio se encontrou com ele a sós mais de uma vez, além de trocar mensagens cheias de intimidade cobrando repasses de recursos e chamando o banqueiro de “irmão”.

A reportagem do Intercept Brasil que revelou o caso ontem mostrou ainda que o dinheiro para o filme de Bolsonaro não foi aportado como patrocínio aberto e transparente, e sim por meio de uma empresa laranja. Não está claro como foram feitos os pagamentos, mas há nas mensagens conversas em que se discute o envio de dólares a uma conta no exterior cujo titular é o advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro.

Fornecer uma explicação convincente e limpa para tudo isso é bem difícil, mas a experiência mostra que os apoiadores fiéis da direita e da esquerda costumam aceitar qualquer história que venha de seus mitos, por mais furada que seja.

Só que a disputa deste ano tende a repetir a de 2022, fortemente polarizada e decidida pelos “independentes” — que preferiam não ter de votar nem em Lula e nem em Flávio, mas acabarão tendo de escolher entre um e outro. É por esses votos que se dará a batalha de 2026, e seria ingenuidade acreditar que o bolsonarismo não reagirá.

Prever quem vence a guerra é impossível a esta altura, mas é fácil ver o potencial do caso Master para transformar a eleição de outubro numa carnificina típica de Quentin Tarantino, para usar a metáfora cinematográfica. Nos filmes do diretor, é comum os personagens matarem uns aos outros no final, e quem fica vivo nem sempre é o herói da história.

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