Pela décima semana seguida, a projeção para a inflação deste ano foi revisada para cima, de 4,91% para 4,92%. A mudança mais significativa no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, foi na estimativa da Taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira, que saiu de 13% para 13,25%. No fim de fevereiro, antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, a previsão chegou a 12%. A projeção para o IPCA em 2028 também teve uma pequena alta de 3,64% para 3,65%.
A escalada do conflito no Oriente Médio tem levado economistas a projetar uma redução do ritmo e da extensão de corte dos juros. A guerra aumenta a pressão inflacionária globalmente e o Brasil não fica imune a esse impacto. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, já aponta a necessidade de maior cautela diante desse cenário externo de incerteza. Marcela Kawauti, economista-chefe Lifetime, avalia que há uma acomodação nas expectativas para a inflação de 2026, mas acredita na possibilidade de novas revisões altistas para a Selic podem vir pela frente?
- Mais uma vez há revisão para cima da inflação em 2026. As revisões, no entanto, têm sido cada vez menores. Ao que parece a inflação vai mesmo se estabilizar um pouco abaixo dos 4,95% para esse ano. A revisão para o IPCA de 2028 mostra uma desancoragem de longo prazo, o que é muito ruim. Já quando aos juros, acho que essa não vai ser a última revisão da Selic, provavelmente vão ter outras rodadas, não só para este ano como para o próximo, porque o Banco Central não consegue segurar os efeitos da guerra. No entanto, o BC pode manter a Selic em um patamar ainda elevado para tentar combater os efeitos de segunda ordem. Além da elevação da projeção de inflação de 2026 e 2028 no IPCA, o Focus traz um outro ponto que merece atenção: o IGPM segue sendo revisado para cima com bastante força neste ano. Isso também acaba pressionando os preços no atacado, margens das empresas e tudo mais – pontua Marcela.

