Em uma ação que mistura persistência policial e alta tecnologia de identificação, a Polícia Civil do Acre, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), prendeu na última sexta-feira, 22, o foragido F.G.S., de 48 anos. Conhecido pelas alcunhas de “Moído” ou “Marquinhos”, ele é o principal acusado do assassinato do adolescente Toni Guedes da Silva, de apenas 15 anos, ocorrido há quase três décadas.
O crime ocorreu no dia 17 de abril de 1998, no bairro Preventório, em Rio Branco. Na ocasião, a vítima foi morta a golpes de faca. Desde então, o autor do homicídio conseguiu despistar as autoridades e permaneceu foragido por 28 anos.
Durante um pente-fino realizado pelos investigadores da DHPP no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), focado em tirar de circulação criminosos contra a vida. A equipe localizou um mandado de prisão preventiva contra “Moído”, expedido em abril de 2020 pela 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco.
Como as buscas iniciais em sistemas abertos não traziam o paradeiro do suspeito, os agentes decidiram rastrear o círculo familiar do acusado. Foi aí que uma inconsistência chamou a atenção da equipe, um suposto irmão de F.G.S. parecia ter “nascido” no ano 2000, data em que emitiu sua carteira de identidade sem que houvesse qualquer registro civil ou histórico anterior relacionado a ele.
Desconfiados de que o criminoso pudesse ter assumido uma identidade falsa, os investigadores acionaram o Instituto de Identificação do Acre. Em uma parceria com a Força Nacional, os papiloscopistas realizaram um cruzamento de dados no sistema estadual ABIS (Automated Biometric Identification System).
As análises de biometria facial e papiloscópica (impressões digitais) deram resultado positivo. O suposto irmão e o homicida eram, na verdade, a mesma pessoa. O criminoso havia criado uma vida paralela usando documentos falsos.
Com a verdadeira identidade desmascarada, a polícia descobriu que o foragido vivia uma vida aparentemente normal no município de Capixaba, no interior do estado, onde atuava como comerciante. O levantamento da DHPP também apontou que, sob a identidade falsa, ele já havia respondido a um processo por tráfico de drogas no ano de 2009.
Os policiais civis deslocaram-se até Capixaba e montaram uma campana nas proximidades dos endereços do suspeito. Durante a vigilância, a equipe obteve a informação de que F.G.S. havia viajado a Rio Branco, mas retornaria em breve. Os agentes mantiveram o monitoramento estratégico até o momento em que o acusado regressou à cidade, sendo finalmente interceptado e capturado.
O desfecho bem-sucedido desta investigação de quase 30 anos foi fruto direto do cruzamento de dados, inteligência cibernética, análise documental rigorosa e, sobretudo, do trabalho integrado com os órgãos de identificação biométrica.
F.G.S. agora permanece à disposição da Justiça e responderá pelo crime cometido em 1998, além das prováveis sanções pelo uso prolongado de documento falso.

