O deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos, negou ter marcado presença na degustação de uísque paga por Daniel Vorcaro, do Master, em Nova York. Oferecida em maio de 2024, a confraternização custou mais de R$ 5 milhões, e o GLOBO confirmou a lista de participantes com duas pessoas.
— Não fui a esse evento. Não bebo uísque e não fumo charuto — alega Pereira, que na época era um dos cotados para a presidência da Câmara.
Além dele, o encontro promovido por Vorcaro reuniu o então governador do Rio, Cláudio Castro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os também deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), hoje presidente da Casa, Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ).
A degustação aconteceu no Carnegie Club, bar de luxo nas imediações do Central Park, em Manhattan. Naquela semana, muitos políticos brasileiros estavam em Nova York para eventos com debates.
O custo da festa, que aconteceu de tarde, foi de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 5,2 milhões, de acordo com a conversão feita pela PF. Naquele momento, os quatro deputados presentes eram cotados para suceder o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Motta acabou sendo o escolhido, em fevereiro do ano seguinte.
Ciro Nogueira, por sua vez, apresentou meses depois, em agosto de 2024, uma emenda a um projeto de lei que buscava aumentar o valor de investimentos financeiros cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O texto, que acabou não aprovado, ficou conhecido como “emenda Master”, já que beneficiaria o modelo de negócios do banco de Vorcaro.
No caso de Castro, a PF registra que, um dia depois da degustação milionária, o Rioprevidência aportou R$ 80 milhões em letras financeiras do Master. As mensagens de Vorcaro ao então governador classificam a degustação como um “evento pequeno”, “só homens”, restrito a dez pessoas.

