As mulheres se tornaram maioria nas novas contratações de planos de previdência privada no Brasil. Entre 2015 e 2025, a participação feminina nas adesões subiu de 46% para 51%, segundo levantamento da Brasilprev. A companhia tem, no total, mais de R$ 470 bilhões sob gestão e 2,5 milhões de clientes.
No mesmo período, o volume de recursos em nome de mulheres cresceu cerca de 245%, saindo de R$ 62,9 bilhões para R$ 218,9 bilhões. A presença feminina no saldo total aplicado chegou a 46,4% da carteira da companhia.
O avanço ocorreu em todas as regiões do país. Nordeste e Sudeste ultrapassaram a marca de 50% de participação feminina nas contratações — o Nordeste passou de 48% para 53% e o Sudeste, de 47% para 52%.
Norte, Centro-Oeste e Sul também registraram crescimento, saindo de 46% para 49%, de 43% para 48% e de 40% para 46%, respectivamente.
“Num país de longevidade crescente, planejar o futuro é essencial. O avanço das mulheres em todas as regiões indica maturidade financeira.”— diz Ângela Assis, presidente da Brasilprev
O movimento coincide com dados do Raio-X do Investidor Brasileiro, pesquisa anual realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha. Cerca de um terço das mulheres declara manter algum investimento ativo, e 50% das que ainda não investem afirmaram pretender começar em 2025.
Entre as motivações, segurança (44%) e retorno (28%) foram as respostas mais frequentes. A pesquisa ouviu 5.846 pessoas com 16 anos ou mais, entre novembro e dezembro de 2024.
Especialistas consultados pelo Infomoney dizem que a longevidade, o aumento da renda própria, a maior presença feminina no mercado de trabalho e a ampliação da educação financeira ajudam a explicar a tendência.
Longevidade é ponto de partida
O dado demográfico explica parte do avanço. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a expectativa de vida das mulheres no Brasil chegou a 79,9 anos em 2024, 6,6 anos acima da média masculina de 73,3 anos. Esse horizonte mais longo transforma a previdência em uma necessidade estrutural.
“Na prática, uma pessoa que se aposenta aos 62 anos e vive até os 90 precisa financiar cerca de 28 anos de despesas pós-carreira. Esse horizonte mais longo exige maior acumulação de recursos e planejamento mais conservador de retirada de renda”, diz Sonia Marra, consultora em seguros e finanças e presidente do CVG-RJ (Clube Vida em Grupo Rio de Janeiro).

