Quem é Ricardo Magro, ‘maior sonegador’ de impostos do Brasil alvo de operação da PF
A Operação Sem Refinamento, realizada nesta sexta-feira, voltou a colocar o empresário Ricardo Magro no centro das investigações sobre fraudes no mercado de combustíveis. Dono do grupo Refit é alvo de mandado de prisão como um dos maiores devedores tributários do país. O nome do empresário foi adicionado à lista vermelha da Interpol.
Magro já havia entrado na pauta política nesta semana após virar tema de uma possível conversa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. A ação desta sexta aprofunda as investigações sobre suspeitas de sonegação fiscal bilionária, lavagem de dinheiro e atuação de organizações criminosas no setor de combustíveis. Empresas ligadas ao grupo teriam sido usadas para movimentar recursos em esquemas de fraude tributária que há anos são monitorados pelas autoridades federais.
Magro vive em Miami desde a década passada e é tratado nos bastidores da investigação como peça-chave em estruturas financeiras ligadas ao mercado de combustíveis. O empresário controla a Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e também possui negócios nos Estados Unidos e em Portugal.
A nova operação ocorre poucos dias depois de assessores do Palácio do Planalto revelarem que Lula pretendia discutir o nome do empresário em reunião com Trump, dentro de um contexto de cooperação internacional contra o crime organizado e crimes financeiros.
O caso ganhou ainda mais peso político em meio às discussões da Casa Branca sobre classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.
Além das investigações recentes, Ricardo Magro acumula histórico de apurações envolvendo corrupção e fundos de pensão. Ex-advogado do ex-deputado Eduardo Cunha, ele chegou a ser preso em 2016 no âmbito de investigações sobre desvios envolvendo Petros e Postalis, mas acabou absolvido posteriormente.
Em julho do ano passado, o Ministério Público de São Paulo já havia citado empresas ligadas à Refit em investigações sobre adulteração de combustíveis e fraudes fiscais. A refinaria do grupo também foi alvo da operação Carbono Oculto e chegou a ser interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.