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‘Acordo caracu’: a resposta de Lula a aliados que sugerem reaproximação com Alcolumbre

O bloqueio da pauta do Senado para assuntos prioritários do governo, na semana passada, fez com que alguns aliados tentassem convencer Lula a aceitar uma reaproximação com Davi Alcolumbre, para tentar fazer deslanchar projetos como a escala 6 x1 e a PEC da Segurança Pública. Nada feito. Por ora, pelo menos, o presidente da República não quer nem ouvir falar de conversa com o presidente do Senado.

A quem sugere que Lula recorra ao seu tradicional pragmatismo e abra espaço para tentar um acordo com presidente do Senado, o presidente vem respondendo com um palavrão. “Acordo com o Alcolumbre? Só se for um acordo caracu”, vem dizendo o presidente, para quem o senador pelo União do Amapá já demonstrou não ser confiável – e portanto qualquer acordo só serviria para desgastar ainda mais o governo, sem nenhum efeito prático.

Se depender do presidente da República, os dois não devem se encontrar tão cedo. Ele viajou para a França no domingo para a reunião do G7 e só estará em Brasília no final da semana. Por enquanto, de acordo com aliados, a intenção de Lula é “dar uma canseira” no presidente do Senado.

Lula e Alcolumbre não tem um encontro a sós desde que o chefe do Senado articulou a derrota do governo na votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, no final de abril.

Na ocasião, Alcolumbre se juntou a Flavio Bolsonaro e ao ministro Alexandre de Moraes para arrebanhar votos contra Messias. Cada um tinha seu motivo para não querer o advogado-geral da União, e juntos eles impuseram a Lula a primeira derrota em votação de um candidato a ministro do STF em mais de um século. Foram 42 votos contra Messias e 34 a favor, quando seriam necessários 41 votos pró Messias para que ele assumisse o cargo no Supremo.

A última vez que Lula e Alcolumbre estiveram juntos no mesmo espaço foi na posse do deputado Odair Cunha (PT-MG) como ministro do Tribunal de Contas da União. Os dois participaram da solenidade e se cruzaram nos bastidores, mas evitaram se cumprimentar.

Como revelamos no blog, duas semanas antes da votação no Senado que rejeitou Messias, Alcolumbre se queixou a Lula de estar sendo perseguido pela Polícia Federal (PF) e pediu ao presidente que o ajudasse a se blindar do que chamou de “injustiças”. A maior delas estaria na delação do executivo Daniel Vorcaro.

De acordo com o relato que fez a aliados, Lula respondeu que não tem como segurar delegado da PF, o Ministério Público Federal (MPF) e muito menos o Supremo. E alegou que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, tem agido com responsabilidade para evitar injustiças.

Segundo a revista Veja, a proposta de Vorcaro continha um trecho em que o dono do Master afirmava ter dado US$ 30 milhões a Alcolumbre no exterior. Nem a PF e nem a PGR confirmam. A proposta acabou sendo rejeitada pela PF na última quinta-feira (11) e deve ser recusada também pela PGR nesta semana.

Nos bastidores, porém, o presidente do Senado atribuiu ao governo e à própria PF o vazamento da informação, o que azedou ainda mais o clima entre os chefes do Executivo e o do Senado.

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