O governo do Acre decretou situação de emergência em saúde pública em todo o estado devido ao aumento dos casos de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) nesta quarta-feira, 3, e terá validade de 90 dias.
O decreto foi assinado pela governadora Mailza Assis e cita a superlotação das unidades estaduais de saúde, o crescimento da procura por atendimento de pacientes com sintomas gripais e a elevada ocupação dos leitos de terapia intensiva das redes pública e privada.
Segundo o documento, o cenário tem provocado aumento das internações e formação de filas de espera por leitos, exigindo a adoção de medidas emergenciais para ampliar a capacidade de atendimento da rede estadual de saúde.
Com a publicação do decreto, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) passa a coordenar as ações de enfrentamento à emergência e terá prioridade no atendimento de demandas junto aos demais órgãos da administração pública estadual. O texto também autoriza a adoção de medidas administrativas urgentes necessárias para restabelecer a normalidade do sistema de saúde.
A Sesacre poderá ainda editar atos complementares para executar ações relacionadas ao enfrentamento da situação emergencial.
Casos graves aumentaram em 2026
A declaração de emergência ocorre dois dias após a Secretaria de Estado de Saúde emitir um alerta epidemiológico para todo o Acre em razão do aumento das doenças respiratórias.
Dados da Vigilância Epidemiológica apontam que o estado registrou 1.303 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave entre janeiro e maio deste ano, número superior ao observado no mesmo período de 2024 e 2025.
A pressão sobre a rede hospitalar tem sido mais intensa entre crianças. Conforme dados divulgados pela Sesacre, a UTI Pediátrica 1 opera com ocupação de 91,9%, enquanto a UTI Pediátrica 2 registra 89,2%. Já as enfermarias infantis apresentam taxa de ocupação de 87,7%.
De acordo com a Secretaria de Saúde, o aumento dos atendimentos está relacionado à maior circulação de vírus respiratórios comuns nesta época do ano, entre eles influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus, adenovírus e metapneumovírus.
Crianças menores de dois anos estão entre os grupos mais afetados, especialmente em razão dos casos de bronquiolite associados ao VSR. Entre crianças maiores e idosos, o crescimento das internações está relacionado principalmente aos casos de pneumonia e outras complicações respiratórias.
Óbitos e situação em Feijó preocupam
O alerta epidemiológico divulgado pela Sesacre também apontou uma mudança no perfil dos óbitos registrados no estado. Embora o número total de mortes seja menor que o observado em anos anteriores, 42,4% dos óbitos registrados em 2026 ocorreram na primeira infância.
Dos 14 óbitos infantis contabilizados até o momento, sete envolveram crianças com menos de dois anos de idade.
Outro dado que chamou atenção das autoridades de saúde foi a situação de Feijó, município que concentra nove mortes por SRAG neste ano. Dessas, seis ocorreram entre crianças indígenas.
Vacinação e prevenção
A Secretaria de Saúde reforçou que a vacinação contra a gripe continua disponível nas unidades de saúde do estado.
A rede pública também oferece imunização contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e aplicação de imunoglobulina contra o VSR para bebês prematuros nascidos a partir de abril de 2026, conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
A orientação é que a população procure atendimento médico diante de sintomas como dificuldade para respirar, febre persistente, chiado no peito e cansaço excessivo, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

