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Após ataque ao Instituto São José, Acre inicia curso para prevenir violência extrema em escolas

Pouco mais de um mês após o ataque ao Instituto São José, em Rio Branco, que resultou na morte de duas servidoras e deixou outras pessoas feridas, o governo do Acre deu início, nesta segunda-feira (8), ao Curso de Prevenção e Contramedidas à Violência Extrema Escolar. A capacitação é promovida pela Polícia Civil do Acre em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e reúne profissionais da segurança, gestores escolares e educadores no auditório da Faculdade Estadual do Acre (Feac), na Cidade do Povo.

O treinamento tem como objetivo preparar profissionais para identificar comportamentos de risco, fortalecer protocolos de prevenção e aprimorar a resposta diante de possíveis episódios de violência em ambientes escolares.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Durante a abertura do evento, o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin, destacou que a iniciativa busca ampliar a cultura de prevenção e oferecer ferramentas para que educadores e gestores saibam agir diante de situações de risco. “É um curso de extrema relevância, um curso que irá trazer conhecimento de segurança para os profissionais da rede de educação. Esse conhecimento pode sim ser aplicado na rede de educação, mas vale para toda a vida da pessoa, para qualquer situação de violência”, afirmou.

Foto: delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Buzolin I Sérgio Vale/ac24horas

Buzolin ressaltou que a responsabilidade pela repressão e investigação de crimes continua sendo das forças de segurança, mas defendeu a importância do compartilhamento de conhecimento com outros setores da sociedade. “A segurança pública não está transferindo responsabilidade. Investigar crimes e lidar com violência é dos operadores de segurança pública. Mas nós estamos compartilhando conhecimento para que outras pessoas tenham a possibilidade de se defender e se prevenir em qualquer evento de violência”, explicou.

O secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Américo Gaia, afirmou que a capacitação é resultado de articulações realizadas após a tragédia ocorrida no Instituto São José e representa um esforço para elevar o nível técnico dos profissionais envolvidos na proteção da comunidade escolar. “As nossas forças de segurança são preparadas para todo tipo de ocorrência, mas buscar qualificação e agregar valor ao que já temos é muito importante. Trouxemos uma equipe de excelência, que já desenvolve esse trabalho em todo o país, para repassar esse conhecimento aos nossos profissionais”, declarou.

Foto: secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Américo Gaia I Sérgio Vale/ac24horas

Segundo Gaia, além dos agentes de segurança, gestores escolares, diretores e professores também participam do treinamento. “Eles precisam saber como devem se comportar em situações dessa natureza. A preparação é fundamental”, acrescentou.

O secretário de Estado de Educação, Reginaldo Prates, destacou que o curso faz parte das medidas adotadas pelo governo após o atentado registrado em maio e reforçou a integração entre as áreas de educação e segurança pública. “Nós sabemos o que ocorreu no dia 5 do último mês e estamos buscando conhecimento para deixar todos os profissionais da educação preparados para qualquer eventualidade. O trabalho de inteligência e prevenção tem sido realizado de forma integrada para evitar que situações semelhantes aconteçam novamente”, afirmou.

Foto: secretário de Estado de Educação, Reginaldo Prates I Sérgio Vale/ac24horas

Para Prates, a capacitação permitirá que educadores estejam mais atentos a sinais de alerta e comportamentos que possam indicar situações de risco. “Trazer conhecimento para que os profissionais da educação estejam preparados para verificar comportamentos é algo necessário”, ressaltou.

A iniciativa também foi bem recebida pelos representantes das instituições de ensino. A gestora escolar Sandi Guedes avaliou que o treinamento fortalece as ações preventivas realizadas no dia a dia das escolas. “Essa capacitação é muito importante para o nosso trabalho diário, onde nós trabalhamos com a prevenção à violência e para mantermos o ambiente escolar mais seguro”, disse.

Já o gestor Jorge Félix destacou que a formação vai além da segurança física e contribui para a construção de um ambiente mais atento às necessidades dos estudantes. “Eles vão orientar a equipe gestora a observar mais, conversar mais com as crianças e fortalecer o diálogo com as famílias. Eu acho que isso é muito importante”, afirmou.

Representando o Colégio Meta, Aldicelia Araújo ressaltou a necessidade de participação das escolas em iniciativas voltadas à segurança e prevenção. “A escola precisa estar participando de todos os eventos para que a gente possa estar inteirada de todos os assuntos”, declarou.

O curso ocorre em um contexto de forte mobilização das autoridades acreanas após o atentado ao Instituto São José, ocorrido em 5 de maio. Na ocasião, um adolescente de 13 anos entrou armado na escola e efetuou disparos que mataram as servidoras Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, e Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos. Desde então, o Estado passou a adotar uma série de medidas voltadas ao reforço da segurança escolar, incluindo protocolos de prevenção, detectores de metais e ações de acolhimento psicológico para estudantes e profissionais da educação.

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