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Após três anos na gestão, Márdhia El-Shawwa deixa grupo de Gladson e declara apoio a Alan Rick

Por Redação Juruá em Tempo.4 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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Após passar três anos à frente da Secretaria de Estado de Mulheres (Semulher) na gestão de Gladson Cameli (PP), a delegada Márdhia El-Shawwa decidiu romper com o grupo governista. A ex-secretária anunciou publicamente que não apoiará a atual governadora Mailza Assis (PP), sucessora natural de Cameli na disputa pelo Palácio Rio Branco, para declarar apoio ao principal adversário da chapa: o senador Alan Rick (Republicanos).

O anúncio foi feito durante a festa de aniversário do deputado estadual Tadeu Hassem (Republicanos), nesta quinta-feira, 4, ocasião em que Márdhia aproveitou para declarar apoio também à reeleição do parlamentar na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

Em suas redes sociais, a delegada justificou a aliança baseada em uma relação de longa data e no compromisso com suas bandeiras.

“Eu sou amiga do senador Alan Rick há mais de 20 anos e verdadeiramente eu apoio a causa das mulheres. E para o Acre, ele (Alan) é defensor da causa das mulheres. Eu conto com ele e ele pode contar comigo e com meu apoio”, afirmou Márdhia.

A decisão de Márdhia El-Shawwa carrega contornos que chamam a atenção, especialmente pelo simbolismo de sua trajetória recente. Delegada de polícia, Márdhia comandou a Semulher entre março de 2023 e abril de 2026, se posicionando como uma das principais vozes institucionais em defesa dos direitos das mulheres no estado.

No entanto, ao migrar para a oposição, a ex-secretária adota uma postura que levanta questionamentos no meio político local: para as eleições majoritárias e proporcionais, a delegada optou por preterir a candidatura de uma mulher, a atual vice-governadora Mailza Assis, escolhendo, em vez disso, canalizar seu capital político no apoio a duas lideranças masculinas (Alan Rick ao Governo e Tadeu Hassem à Aleac).

A saída de Márdhia e seu subsequente posicionamento ocorrem em um momento em que a segurança pública e os direitos das mulheres continuam sob holofotes. Durante o período em que a delegada esteve à frente da Secretaria da Mulher, o Acre enfrentou desafios severos no combate à violência de gênero, figurando reiteradamente em índices nacionais preocupantes.

A gestão de Márdhia (2023–2026) foi marcada pela tentativa de estruturar políticas de acolhimento, mas também conviveu com a dura realidade estatística do estado. De acordo com os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Monitor da Violência, o Acre registrou taxas alarmantes de feminicídio durante esses anos, chegando a liderar o ranking nacional proporcional em 2023, com uma taxa de 2,4 mortes para cada 100 mil mulheres, e mantendo patamares críticos ao longo de 2024 e 2025.

Por: Maria Meirelles.
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