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Às vésperas do período eleitoral, entrega de máquinas expõe racha na direita do Acre

A entrega de mais de 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos para os 22 municípios do Acre, marcada para esta sexta-feira, 5, promete representar um dos maiores investimentos já realizados para fortalecer a produção rural e a infraestrutura municipal do estado. No entanto, antes mesmo de os equipamentos chegarem oficialmente às mãos das prefeituras, a iniciativa já se transformou em mais um capítulo da disputa política entre lideranças da direita acreana.

O ato acontece nesta sexta-feira, 5, na Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Rio Branco (AC), com transmissão do ac24horas prevista para às 10h.

O programa, executado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), foi viabilizado por meio de mais de R$ 223 milhões em emendas da bancada federal do Acre. Ao todo, serão adquiridos 1,6 mil equipamentos, entre máquinas pesadas, caminhões, ônibus, veículos utilitários e implementos agrícolas.

Nos últimos dias, o anúncio da entrega passou a ser acompanhado por uma disputa sobre quem deve receber os créditos pela conquista dos recursos. De um lado, o senador Alan Rick (Republicanos), atual coordenador da bancada federal e pré-candidato ao Palácio Rio Branco, tem destacado seu papel na articulação política que garantiu a destinação das emendas e a execução do programa. Em material divulgado por sua assessoria, o parlamentar classificou a ação como a maior entrega de máquinas da história do Acre.

Do outro lado, integrantes do governo estadual e aliados do ex-governador Gladson Cameli e da governadora Mailza Assis, ambos do Progressistas, têm demonstrado incômodo com o protagonismo assumido pelo senador. Nos bastidores, governistas avaliam que Alan estaria buscando capitalizar politicamente uma ação construída coletivamente pelos parlamentares acreanos e executada pelo governo federal.

A polêmica, na verdade, não é nova. Em março deste ano, o secretário de Governo do Acre, Luiz Calixto, publicou um artigo no qual criticou duramente o que classificou como uma tentativa do senador Alan Rick de concentrar para si os méritos de investimentos viabilizados com recursos públicos. No texto, intitulado “O comportamento sobrenatural do xerife das emendas”, Calixto argumentou que as emendas parlamentares são prerrogativas distribuídas igualmente entre deputados e senadores e afirmou que muitas obras atribuídas ao senador só se tornam realidade graças à complementação financeira e à execução conduzida pelo Poder Executivo.

A ofensiva do governo contra a narrativa construída pelo senador também encontrou reação entre apoiadores de Alan Rick. Em artigo publicado nesta semana, o jornalista Elson Dantas classificou as críticas como uma demonstração de “seletividade” por parte de setores ligados ao Palácio Rio Branco. No texto, ele argumenta que reconhecer o caráter coletivo das emendas de bancada não significa ignorar a participação de quem coordenou as articulações políticas para viabilizar os investimentos. Dantas sustentou que Alan teve papel relevante nas negociações junto aos ministérios e na condução dos entendimentos entre os parlamentares acreanos, além de sugerir que o incômodo em torno do protagonismo do senador estaria relacionado ao cenário político de 2026, quando ele desponta como potencial adversário do grupo governista na disputa pelo Palácio Rio Branco.

A controvérsia ganhou força porque os recursos não são oriundos de uma emenda individual, mas de emendas de bancada, mecanismo que reúne a participação conjunta dos deputados federais e senadores do estado. Parlamentares ligados ao grupo de Alan Rick afirmam que a bancada autorizou formalmente o senador, na condição de coordenador, a conduzir as tratativas e representar o colegiado nas negociações junto aos ministérios. Há, ainda, documentos internos que detalham a participação dos integrantes da bancada na construção da proposta.

A disputa ocorre em um momento pré-eleitoral, no qual Alan Rick e Mailza Assis devem disputar o Palácio Rio Branco nas eleições de 2026. Embora tenham integrado o mesmo campo político nos últimos anos, Alan Rick e Gladson Cameli romperam politicamente em 2025, com a exoneração de diversos aliados do senador do governo estadual, em meio às divergências sobre a sucessão estadual.

O fato é que hoje todos os adversários políticos estarão no mesmo palanque e existe uma grande expectativa de como serão seus comportamentos diante de seus apoiadores e autoridades de Brasília.

Nesta primeira etapa, 260 máquinas já estão disponíveis para entrega, incluindo motoniveladoras, retroescavadeiras, escavadeiras hidráulicas, tratores de esteira, carretas basculantes e microtratores. A expectativa é que os equipamentos contribuam para a recuperação de ramais, a mecanização agrícola, o transporte de estudantes e o fortalecimento dos serviços municipais.

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