O Brasil precisou esperar 24 anos e oito dias para voltar a virar um jogo de mata-mata de Copa do Mundo. Depois de sair atrás contra o Japão, nesta segunda-feira, em Houston, a seleção reagiu no segundo tempo: Casemiro empatou de cabeça, e Gabriel Martinelli, após passe de Bruno Guimarães, marcou nos acréscimos o gol que colocou a equipe em vantagem por 2 a 1 na segunda fase do Mundial. O jogo ainda estava em andamento no momento da publicação.
Kaishu Sano havia colocado os japoneses na frente aos 29 minutos do primeiro tempo, em uma arrancada pelo centro da defesa brasileira. A reação começou aos 11 da etapa final, quando Casemiro subiu para marcar de cabeça. Já nos instantes finais, Martinelli apareceu para completar a virada e encerrar uma espera que atravessou cinco edições completas da competição.
A última vez que o Brasil conseguira mudar o rumo de uma partida eliminatória havia sido em 21 de junho de 2002. Nas quartas de final daquela Copa, Michael Owen abriu o placar para a Inglaterra, mas Rivaldo empatou ainda no primeiro tempo e Ronaldinho Gaúcho marcou, em cobrança de falta, o gol da vitória por 2 a 1. A seleção comandada por Luiz Felipe Scolari avançou e terminaria o torneio com o pentacampeonato.
Desde então, o Brasil havia saído atrás em três mata-matas e perdido todos. Foi derrotado por 1 a 0 pela França nas quartas de 2006, sofreu o histórico 7 a 1 diante da Alemanha na semifinal de 2014 e caiu por 2 a 1 para a Bélgica nas quartas de 2018. Nas eliminações para a Holanda, em 2010, e para a Croácia, em 2022, a seleção brasileira havia marcado primeiro.
A reação diante do Japão é a 15ª virada do Brasil na história das Copas, considerando os jogos nos quais o adversário abriu o placar e a seleção terminou ou passou a vencer. É também a oitava em uma partida posterior à primeira fase — número que inclui a disputa do terceiro lugar de 1938.
As 15 viradas do Brasil em Copas
Duas dessas viradas aconteceram em finais e deram títulos à seleção. Em 1958, a Suécia abriu o placar, mas o Brasil respondeu com Vavá, Pelé e Zagallo para vencer por 5 a 2. Quatro anos depois, a Tchecoslováquia saiu na frente, antes de Amarildo, Zito e Vavá construírem o 3 a 1 que garantiu o bicampeonato mundial.
- 1938 — Tchecoslováquia 1 x 2 Brasil — quartas de final, jogo-desempate
- 1938 — Suécia 2 x 4 Brasil — disputa do terceiro lugar
- 1958 — Suécia 2 x 5 Brasil — final
- 1962 — Espanha 1 x 2 Brasil — fase de grupos
- 1962 — Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia — final
- 1970 — Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia — fase de grupos
- 1970 — Brasil 3 x 1 Uruguai — semifinal
- 1982 — Brasil 2 x 1 União Soviética — fase de grupos
- 1982 — Brasil 4 x 1 Escócia — fase de grupos
- 1998 — Brasil 3 x 2 Dinamarca — quartas de final
- 2002 — Brasil 2 x 1 Turquia — fase de grupos
- 2002 — Inglaterra 1 x 2 Brasil — quartas de final
- 2006 — Japão 1 x 4 Brasil — fase de grupos
- 2014 — Brasil 3 x 1 Croácia — fase de grupos
- 2026 — Brasil 2 x 1 Japão — segunda fase,

