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Caso Henry: ‘Jairo é psicopata severo e Monique narcisista’, afirma promotor em décimo dia de julgamento

Começou pouco antes das 10h30 desta quarta-feira a fase de debates entre acusação e defesa perante os jurados no julgamento que definirá o destino do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, acusados pela morte de Henry Borel. Nesta etapa, as partes fazem suas últimas manifestações antes da votação do júri. As sustentações podem durar até nove horas. Considerado o mais longo da história recente do Tribunal do Júri do Rio, o julgamento pode ser concluído ainda nesta quarta-feira.

Em sua sustentação, o promotor Fábio Vieira afirmou que Jairinho se valia de seu poder político e econômico para intimidar pessoas e sustentou que o ex-vereador apresentaria traços de “psicopatia severa”, enquanto Monique seria “narcisista, com traços de megalomania”.

— Tudo indica que ele é um psicopata muito severo. E a Monique é narcisista. Um desses traços é a megalomania. Ela fala que o Henry não podia ter mãe melhor que ela — afirmou.

O promotor também destacou o poder político e econômico que o ex-vereador exercia e o temor que, segundo ele, existia em torno da família:

— Estamos falando de um camarada influente, que tinha força política e econômica no cenário carioca. Existia um medo por parte das pessoas. Tudo precisa ser entendido dentro desse contexto. Esse poder chamava a atenção de mulheres que buscavam se aproximar e avançar para relações amorosas.

Em seguida, Vieira sustentou que Jairinho utilizava essa posição de poder para se aproximar de mulheres e praticar agressões.

— Ele se aproxima das mulheres por conta desse poder. Até aí, nada. Mas existe uma característica nele: agride mulheres. E também agride crianças. Maltrata crianças. Tem prazer em machucar os vulneráveis — declarou.

O promotor também citou o depoimento de Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho, atualmente maior de idade, prestado durante o julgamento.

— Jairo é um cara que bate em criança. Isso ficou comprovado aqui. Vocês ouviram da própria Kaylane. Quando a situação do Henry vem à tona, não apenas é acionado um gatilho nela, mas também um sentimento de culpa por pensar que, se tivesse procurado as autoridades na época, ele poderia estar vivo — afirmou.

Ao abordar a conduta de Monique Medeiros, Vieira questionou a versão apresentada pela ré de que não percebia sinais de comportamento abusivo por parte de Jairinho.

— Depois de terminar um relacionamento, ela já leva o filho para encontrar Jairinho. Isso é altamente esquisito. E seria muito esquisito se parasse por aí. Durante o namoro, ela relata que ele descobriu onde ela morava, invadiu a casa e a enforcou na frente da criança. Fala também de ciúmes excessivos e de um programa espião no telefone. E, ainda assim, diz que nunca viu um homem abusivo que pudesse oferecer perigo — disse.

Segundo o promotor, fatores normalmente associados à permanência de vítimas em relacionamentos abusivos não estavam presentes no caso de Monique, como dependência econômica, filhos com o abusador, ausência de rede de apoio e falta de círculos sociais.

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