Diante do aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados em todo o estado, o governo do Acre detalhou nesta quarta-feira, 4, as medidas que serão adotadas após a publicação do decreto de situação de emergência em saúde pública. A ação busca ampliar a capacidade de resposta da rede estadual de saúde e garantir atendimento à população durante o período de maior circulação de vírus respiratórios.
Dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mostram que, entre as semanas epidemiológicas 1 e 21 de 2026, foram registrados 1.438 casos de SRAG no Acre. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 1.060 casos, enquanto em 2024 o número chegou a 1.130.
Segundo a diretora de Atenção Primária e Vigilância em Saúde da Sesacre, Suanne Souza, o decreto permitirá que o Estado adote medidas emergenciais para fortalecer a assistência.
“O decreto é uma medida que nos permite dar uma resposta rápida a esse aumento de casos. Ele possibilita a ampliação de leitos, a contratação de profissionais para reforçar as equipes e a adoção de medidas estratégicas para garantir assistência à população”, afirmou.

Crianças e idosos concentram os casos mais graves
De acordo com a Vigilância em Saúde, os grupos mais afetados continuam sendo crianças menores de dois anos, principalmente por complicações relacionadas à bronquiolite, crianças entre 2 e 9 anos, com predominância de pneumonias, e idosos acima de 60 anos, considerados mais vulneráveis às formas graves da doença.
O que muda com o decreto
Com a situação de emergência em vigor, a Sesacre passa a ter maior agilidade para implementar ações voltadas ao enfrentamento do aumento das síndromes respiratórias.
Entre as medidas previstas estão:
- Ampliação da capacidade assistencial da rede estadual;
- Abertura de novos leitos;
- Contratação e reforço de profissionais de saúde;
- Fortalecimento da vigilância epidemiológica;
- Implementação de estratégias para resposta rápida ao aumento da demanda.
A Secretaria de Saúde informou ainda que busca apoio do Ministério da Saúde para fortalecer as ações e ampliar a capacidade de enfrentamento das síndromes respiratórias no estado.
Parceria com os municípios
Outro ponto destacado pela Sesacre é o fortalecimento da atuação conjunta com os 22 municípios acreanos por meio da atenção primária à saúde.
A estratégia busca garantir que pacientes com sintomas respiratórios recebam atendimento logo nos primeiros sinais da doença, reduzindo o risco de agravamento dos quadros e a necessidade de internações hospitalares.
“A gente também busca parcerias com os municípios para que esses casos tenham a oportunidade de ser atendidos logo no começo dos sintomas, evitando agravamentos que possam levar à necessidade de internação ou atendimento em unidades de maior complexidade”, explicou Suanne Souza.
Vacinação segue abaixo de 40%
A Sesacre reforçou que a vacinação contra a Influenza continua sendo uma das principais formas de prevenção contra casos graves, internações e mortes associadas às doenças respiratórias.
Até o momento, o Acre aplicou 74.987 doses da vacina, alcançando cobertura vacinal de 38,7% do público-alvo. A campanha segue em andamento em todo o estado.
A orientação é que crianças, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e demais públicos contemplados procurem as unidades de saúde para atualizar a imunização.
Preparação para a estiagem
Além das ações voltadas ao cenário atual, a Secretaria de Saúde informou que também intensifica o planejamento para o período de estiagem e queimadas, historicamente associado ao agravamento dos problemas respiratórios no Acre.
A recomendação à população é manter a vacinação em dia, evitar contato próximo com pessoas sintomáticas e procurar atendimento médico diante de sinais de agravamento, como falta de ar, febre persistente e piora do estado geral.

