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Conheça a pílula contra câncer de pâncreas que emocionou médicos

Por Redação Juruá em Tempo.3 de junho de 2026Updated:3 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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A apresentação dos dados finais do medicamento experimental daraxonrasib provocou uma reação incomum no maior congresso de oncologia clínica do mundo. Durante a sessão plenária da American Society of Clinical Oncology, em Chicago, nos Estados Unidos, médicos se levantaram para aplaudir de pé, enquanto alguns choraram diante dos resultados do estudo RASolute 302, considerado um dos mais rigorosos já realizados para câncer de pâncreas metastático. O auditório reunia cerca de 50 mil especialistas.

O motivo da comoção estava nos números. O daraxonrasib, um comprimido tomado uma vez ao dia, quase dobrou a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas avançado que já não respondiam mais à quimioterapia. Os pacientes que receberam o medicamento viveram, em média, 13,2 meses, contra 6,6 meses entre aqueles que continuaram no tratamento convencional. O risco de morte caiu 60%.

O estudo de fase 3 envolveu 500 pacientes da América do Norte, Europa e Ásia. Os participantes foram divididos aleatoriamente entre o grupo que recebeu o medicamento experimental e o grupo tratado com quimioterapia. Segundo os pesquisadores, os resultados foram considerados definitivos, sem análises pendentes. Mais de 31% dos pacientes tratados com daraxonrasib tiveram redução mensurável dos tumores, contra 11,2% no grupo da quimioterapia.

Outro fator que chamou atenção foi a menor toxicidade do remédio. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram interromper o tratamento por efeitos colaterais, enquanto na quimioterapia a taxa chegou a 11,2%. Os efeitos adversos mais comuns do daraxonrasib foram erupções cutâneas, algumas consideradas graves, além de feridas na boca. Ainda assim, os especialistas destacaram que os pacientes relataram menos dor e melhor qualidade de vida durante o tratamento.

O entusiasmo dos oncologistas se deve também ao mecanismo considerado revolucionário do medicamento. O daraxonrasib atua sobre a proteína KRAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Durante décadas, cientistas tentaram bloquear essa proteína sem sucesso, porque ela era considerada “intratável” pela dificuldade de criar drogas capazes de se fixar nela. O novo remédio usa uma espécie de “cola molecular” para desligar a proteína mutada e impedir o crescimento do câncer.

A direção da American Society of Clinical Oncology classificou o estudo como um “divisor de águas”, enquanto outros especialistas disseram que a descoberta pode inaugurar uma “revolução” no tratamento da doença.

O câncer de pâncreas é um dos mais letais do mundo porque normalmente só é descoberto quando já se espalhou para outros órgãos. Mais da metade dos pacientes morre poucos meses após o diagnóstico. Nos Estados Unidos, são cerca de 67 mil novos casos por ano e mais de 52 mil mortes. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima mais de 13 mil novos diagnósticos anuais.

Apesar da euforia, o medicamento também levanta polêmicas e preocupações. A principal delas envolve o acesso. O tratamento ainda não foi aprovado oficialmente e depende de autorização regulatória da FDA, agência equivalente à Anvisa nos Estados Unidos. A farmacêutica responsável, a Revolution Medicines, financiou o estudo e já pediu prioridade na análise.

Outra preocupação envolve o custo. Novos medicamentos oncológicos costumam custar cerca de US$ 10 mil por mês (cerca de R$ 50 mil) no mercado americano. No Brasil, oncologistas avaliam que o acesso pode ser extremamente limitado, especialmente no SUS, onde o valor atualmente pago para tratar um paciente com câncer de pâncreas é muito inferior ao custo estimado dessas terapias modernas. Além disso, ainda não há previsão de aprovação pela Anvisa nem garantia de cobertura pelos planos de saúde.

Por: redação.
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