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Empresa de Ciro movimentou R$ 20 milhões em um ano e valor é incompatível com faturamento, aponta Coaf

Por Redação Juruá em Tempo.17 de junho de 20263 Minutos de Leitura
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Uma empresa da qual o senador Ciro Nogueira é sócio movimentou mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano, valor considerado incompatível com o faturamento declarado à instituição financeira, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) anexado às investigações do caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

O documento integra a representação da Polícia Federal tornada pública nesta terça-feira por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a PF, a análise da comunicação financeira “corrobora os achados referentes às vantagens indevidas recebidas pelo senador Ciro Nogueira”, do PP do Piauí, no âmbito da investigação que envolve fraude no sistema financeiro, corrupção e lavagem de dinheiro.

Procurado, o senador ainda não se manifestou.

A comunicação analisada refere-se à empresa CNLF, que entre 15 de agosto de 2023 e 4 de agosto de 2024 movimentou R$ 20 milhões, somando créditos e débitos. A empresa não possui histórico de funcionários registrados e o endereço declarado como sede é a sede da CN Motos, concessionária de Ciro.

Conforme o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que elabora os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), o montante é incompatível com a receita anual informada pela própria empresa ao banco. Em dezembro de 2023, a CNLF declarou faturamento anual de R$ 832.354.

A PF destaca ainda uma transferência de R$ 1 milhão realizada pela CNLF para a Green Investimentos S.A. Segundo os investigadores, a operação guarda relação com outra apuração em curso, que investiga a aquisição, por meio de um suposto “contrato de gaveta”, de participação societária avaliada em valor muito superior ao efetivamente pago.

O caso em questão é a compra de 30% da Green Investimentos S. A. pela CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa que integra o grupo utilizado pela organização criminosa, conforme a PF. A aquisição custou R$ 1 milhão para a empresa de Ciro, mas as ações valiam R$ 13 milhões, segundo investigação.

O relatório do Coaf também é apontado pelos investigadores como elemento que reforça uma suspeita já levantada anteriormente: a existência de pagamentos periódicos destinados ao senador. A PF aponta que os créditos de uma das empresas controladas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, na empresa de Ciro são “contemporâneos com os diálogos entre” os primos sobre repasses mensais de R$ 300 mil (ou R$ 500 mil) com menções ao atraso “do Ciro”.

“Assim, o RIF materializa financeiramente a hipótese de ‘mesada'”, diz o documento.

Por: O Globo.
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