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Estudo aponta que Acre está entre os estados com maior carga horária de trabalho do país

Um relatório divulgado na última sexta-feira (29) pelo projeto Brasil em Mapas estima que o Acre está entre os estados brasileiros com maior intensidade de jornada de trabalho. Segundo o estudo, cerca de 68% dos trabalhadores acreanos cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais, enquanto a carga horária média no estado é de 45,3 horas por semana.

Os números colocam o Acre acima da média nacional. De acordo com o levantamento, o Brasil registra jornada média de 43,4 horas semanais e aproximadamente 56% dos trabalhadores atuam em jornadas consideradas longas, acima do limite legal de 44 horas por semana.

O estudo analisou dados estruturais do mercado de trabalho com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Na Região Norte, onde estão os indicadores mais elevados do país, a média estimada é de 45,3 horas semanais e 69% dos trabalhadores estariam submetidos a jornadas superiores a 44 horas. O Acre aparece próximo desse patamar regional, atrás apenas de estados como Pará, que registra 71%, e Amazonas, com 70%.

Segundo os autores, a distribuição das jornadas de trabalho revela fortes desigualdades regionais. Norte e Nordeste concentram os maiores índices de intensidade laboral, enquanto Sudeste e Distrito Federal apresentam os menores percentuais de trabalhadores em jornadas longas.

O relatório aponta ainda que esse cenário está associado a fatores estruturais do mercado de trabalho, como maiores níveis de informalidade, menor renda média e maior participação de ocupações com menor proteção trabalhista. Já os estados com maior formalização da economia tendem a registrar jornadas médias menores.

Entre as unidades da federação, os maiores percentuais de trabalhadores em jornada longa foram observados no Maranhão e no Pará, ambos com 71%. Na outra ponta, o Distrito Federal apresentou o menor índice do país, com 41%, além da menor jornada média semanal, estimada em 40,5 horas.

O tema ganhou destaque nacional nos últimos meses em meio às discussões sobre a possível redução da jornada semanal de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6×1. Para os pesquisadores, os dados reforçam a necessidade de discutir não apenas a duração da jornada, mas também as diferenças regionais que marcam o mercado de trabalho brasileiro.

O relatório foi concluído em maio de 2026 e ressalta que os resultados são estimativas estruturais elaboradas a partir de bases oficiais, calibradas conforme as características do mercado de trabalho de cada estado.

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